Livro O Pomar do Rei
Agricultor, comunhão cristã, crescimento espiritual, discipulado cristão, esperança cristã, Espírito Santo, espiritualidade bíblica, formação espiritual, fruto espiritual, graça de Deus, identidade em Cristo, Igreja, Jamerson Silva Araújo, João 15, literatura cristã, livro cristão, livro devocional, maturidade espiritual, narrativa cristã, novo nascimento, O Pomar do Rei, Palavra de Deus, pedagogia da salvação, perseverança, reflexão bíblica, regeneração, Reino de Deus, santificação, serviço cristão, soberania de Deus, sofrimento cristão, teologia contemplativa, união com Cristo, vida cristã, Videira Verdadeira
Arauto de Deus
0 Comentários
CAPÍTULO 1 – O TRABALHO QUE COMEÇOU ANTES
CAPÍTULO 1
O TRABALHO QUE COMEÇOU ANTES
“E, quando ele vier, convencerá o mundo…” João 16:8
O caminho continuava a descer quando o sol finalmente alcançou as partes mais baixas do Pomar. O Aprendiz seguia o Rei, mas seus pensamentos haviam ficado alguns passos atrás, junto àquele terreno úmido onde nenhum broto rompia a superfície. Desde que deixara o lugar, uma pergunta o acompanhava. Não era mais a pergunta impaciente de quem deseja saber quando alguma coisa aparecerá. Era uma pergunta anterior: se ainda não havia vida visível, por que havia tantos sinais de trabalho?
O Rei não demonstrava pressa em responder. Caminhava por uma faixa estreita entre duas áreas cultivadas, enquanto a luz avançava lentamente sobre a terra. De um lado, árvores jovens recebiam o primeiro calor da manhã; do outro, o terreno permanecia quase inteiramente descoberto. O Aprendiz percebeu que, depois do que vira antes do amanhecer, já não conseguia passar por um lugar vazio da mesma maneira. Onde antes enxergaria ausência, agora procurava vestígios.
Encontrou-os depressa.
O solo apresentava marcas de uma ferramenta larga, como se houvesse sido revolvido várias vezes. Pequenas pedras estavam reunidas junto à borda. Um canal estreito vinha de uma parte mais alta do terreno, contornava uma elevação e desaparecia entre sulcos rasos. Havia umidade suficiente para escurecer a terra, embora o sol já começasse a secar a camada superior.
O Aprendiz parou diante do canal.
— Foi por aqui que a água passou?
O Rei se aproximou.
— Foi.
— Quem abriu este caminho?
— Meu Pai.
A resposta trouxe de volta as palavras que haviam permanecido com ele desde o alto da colina: Meu Pai é o agricultor.
O Aprendiz acompanhou com os olhos o curso do pequeno canal. Ele não era perfeitamente reto. Desviava de pedras maiores, contornava raízes antigas e, em alguns pontos, dividia-se para que a água alcançasse trechos diferentes. Nada ali sugeria descuido. O caminho parecia ter sido traçado por alguém que conhecia o terreno melhor do que quem o observasse apenas da superfície.
— Mas por que fazer tudo isso antes de haver alguma coisa aqui?
O Rei olhou para ele.
— Alguma coisa como o quê?
O Aprendiz percebeu que voltara à mesma armadilha da manhã.
— Algo que eu possa chamar de vida.
O Rei abaixou-se junto ao canal e afastou com a mão uma pequena quantidade de terra que a água havia acumulado na passagem. Debaixo dela havia uma fissura estreita, quase invisível antes que o solo fosse removido.
— Ontem você teria visto isto?
O Aprendiz também se abaixou.
— Não.
— A água criou a fissura?
Ele examinou melhor.
— Acho que não. Apenas retirou a terra que a escondia.
O Rei levantou-se.
— Então agora você sabe mais sobre o terreno do que sabia antes.
Continuaram andando. A resposta parecia simples, mas o Aprendiz percebeu que não era sobre irrigação que conversavam. Havia ocasiões em que o Rei começava com aquilo que estava diante dos olhos e deixava que a verdade se aproximasse sem ser anunciada. Era como se uma porta fosse aberta e coubesse ao Aprendiz decidir se olharia através dela.
Mais adiante, encontraram outro trecho de solo. A superfície parecia uniforme, mas, quando o Aprendiz pressionou o pé contra ela, notou que algumas partes cediam e outras permaneciam duras. A água havia penetrado profundamente em certos pontos; em outros, ainda repousava sobre a superfície em pequenas poças.
— A mesma água — observou.
— Sim.
— Mas o terreno não a recebe da mesma maneira.
O Rei não respondeu.
O Aprendiz ajoelhou-se e tocou uma das áreas endurecidas. A superfície estava molhada, porém poucos centímetros abaixo permanecia seca. Ele pensou em dizer alguma coisa sobre a diferença entre aquele solo e o que acabara de examinar, mas conteve-se. A manhã já lhe ensinara que perceber uma diferença não significava conhecer sua causa.
Continuou observando.
A água não apenas umedecera o chão. Em alguns lugares, revelara sua dureza. Em outros, fizera aparecer depressões que antes pareciam niveladas. Pequenas raízes secas haviam surgido onde a camada superior fora deslocada. O terreno que de longe parecia simples tornava-se mais complexo quanto mais se aproximavam.
O Aprendiz levantou-se devagar.
— Então o trabalho também revela.
O Rei voltou-se para ele.
— Continue.
— Antes de a água passar, eu via apenas terra. Agora vejo onde ela está compactada, onde existem fissuras, onde a água consegue penetrar e onde permanece na superfície. O terreno não se tornou necessariamente outro porque foi molhado. Mas começou a mostrar aquilo que já estava nele.
O Rei retomou a caminhada.
— Guarde isso.
Não acrescentou nada.
Por algum tempo, caminharam sem conversar. O Aprendiz ouvia o som discreto da água percorrendo os canais e, mais distante, o movimento das folhas sob o vento. Quando chegaram a uma parte sombreada, o Rei desviou do caminho principal e entrou entre duas fileiras de árvores. No final delas havia uma pequena construção de pedra, aberta de um dos lados. Sobre uma mesa simples repousavam ferramentas, cordas, recipientes de madeira e alguns rolos de tecido.
O Rei parou ali apenas o tempo suficiente para pegar um pequeno recipiente com água. Entregou-o ao Aprendiz.
— Beba.
Ele bebeu. Só então percebeu o quanto estava com sede.
O Rei observou enquanto devolvia o recipiente.
— Quando descobriu que precisava de água?
— Quando bebi.
— Não estava com sede antes?
O Aprendiz compreendeu a pergunta e sorriu de leve.
— Estava. Só não prestava atenção.
O Rei apontou para o recipiente vazio.
— A água não criou sua necessidade.
O Aprendiz olhou para ele.
A verdade parecia ter se aproximado mais.
Em outra ocasião, muito antes daquela caminhada, ele ouvira Cristo falar aos discípulos sobre a vinda do Espírito. O Consolador viria, dissera o Senhor, e convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Durante muito tempo o Aprendiz lera essas palavras concentrando-se no resultado que esperava encontrar depois delas. Agora, entretanto, a palavra convencer adquiria uma profundidade diferente.
Convencer significava que algo antes não percebido passava a tornar-se incontornável.
O pecado podia estar presente antes de ser reconhecido como pecado. A necessidade podia existir antes de ser sentida como necessidade. A insuficiência podia governar uma vida inteira antes que alguém tivesse coragem de lhe dar esse nome. A verdade não criava a enfermidade ao revelá-la; arrancava dela o benefício de permanecer escondida.
O Aprendiz voltou a olhar para o recipiente.
— O Espírito faz algo parecido?
O Rei não respondeu imediatamente.
Saíram novamente para o caminho.
— O que eu disse que Ele faria quando viesse?
— Convenceria o mundo.
— De quê?
— Do pecado, da justiça e do juízo.
O Rei assentiu. O Aprendiz esperou que continuasse, mas Cristo permaneceu em silêncio. Então ele próprio tentou seguir a direção da pergunta.
— Isso quer dizer que existe uma obra de Deus em alguém antes que essa pessoa consiga compreender tudo o que está acontecendo com ela?
— Existe uma obra de convencimento.
A precisão da resposta o deteve.
— Mas convencimento já é vida?
O Rei olhou para ele com atenção.
— Não chame de broto aquilo que ainda é o trabalho na terra.
O Aprendiz voltou os olhos para o terreno.
A frase estabelecia um limite que ele ainda não sabia medir completamente, mas que parecia importante demais para ser esquecido. Se chamasse todo movimento de vida, jamais entenderia o milagre do primeiro broto. Por outro lado, se chamasse de ausência tudo o que acontecia antes dele, desprezaria o trabalho que o precedia.
Havia um caminho entre esses dois erros.
O solo podia ser tocado sem que uma árvore tivesse nascido. A verdade podia ferir uma falsa tranquilidade sem que isso significasse que o coração já houvesse sido feito novo. Uma pessoa podia começar a perceber sua necessidade sem que pudesse atribuir a si mesma a vida que ainda necessitava receber.
O Aprendiz caminhou durante alguns minutos pensando nisso. A paisagem parecia colaborar com a reflexão. Em vários pontos, nada crescia acima da superfície, mas quase todos revelavam algum tipo de cuidado: canais abertos, pedras removidas, terra revolvida, proteção contra o excesso de água, pequenas cercas impedindo que animais atravessassem os trechos mais frágeis.
— Eu sempre imaginei a graça começando onde começava minha resposta — disse por fim.
O Rei diminuiu o passo.
— Por quê?
— Porque era isso que eu conseguia lembrar. A primeira vez que entendi algo. A primeira vez que me arrependi de algo. A primeira vez que percebi que precisava de Ti. Essas coisas parecem começo quando olhamos para trás.
O Rei não o interrompeu.
O Aprendiz prosseguiu:
— Mas talvez eu esteja fazendo com minha própria história o que fiz com o Pomar esta manhã. Olhando para o primeiro acontecimento que consigo reconhecer e chamando aquilo de início.
Cristo continuou andando ao seu lado. O Aprendiz procurou em sua memória momentos que durante anos parecera considerar pequenos demais para fazerem parte de qualquer história importante. Palavras das Escrituras que o incomodaram muito antes que soubesse explicar por quê. Advertências que preferira esquecer e que, ainda assim, retornavam à consciência. Ocasiões em que aquilo que antes lhe parecia natural começara a perder um pouco de sua tranquilidade. Verdades que ouvira sem acolher plenamente, mas das quais já não conseguia se livrar como se nunca as tivesse escutado.
Não ousava reconstruir toda a própria história com uma certeza que não possuía. Havia lembranças que talvez significassem menos do que agora imaginava, e outras cujo verdadeiro peso somente Deus conhecia. Mesmo assim, uma possibilidade começava a humilhá-lo: talvez ele tivesse chamado de acaso alguns dos lugares onde a misericórdia já o cercava com a verdade.
— Eu não sabia — disse.
— O quê?
— Que poderia haver graça também no desconforto.
O Rei se deteve.
Diante deles havia um trecho de terra que acabara de ser revolvido. Grandes torrões haviam sido quebrados, deixando o chão irregular e aparentemente menos belo que as áreas ainda intactas.
— Por que isto parece pior do que antes? — perguntou Cristo.
O Aprendiz observou.
— Porque foi mexido.
— E antes?
— Parecia mais uniforme.
— Era melhor?
Ele se aproximou e tentou desfazer com o pé um dos torrões. A terra estava dura por dentro.
— Não. Apenas parecia menos perturbada.
O Rei voltou os olhos para o terreno.
— Nem toda paz é saúde.
O Aprendiz permaneceu diante daquela frase sem responder. Não precisava de uma explicação maior. Lembrou-se de quantas vezes desejara que Deus lhe devolvesse depressa a tranquilidade depois que alguma verdade perturbara sua consciência. Talvez tivesse orado pela retirada de um incômodo quando deveria ter perguntado o que aquele incômodo começava a mostrar.
Ainda assim, havia algo que precisava preservar. O desconforto, por si só, não era salvação. Culpa podia esmagar sem conduzir à vida. Medo podia produzir promessas que desapareciam quando a ameaça passava. Emoção podia ser confundida com arrependimento. Ele próprio se lembrava de momentos intensos que não haviam produzido transformação duradoura.
Ele disse:
— Então eu também não devo chamar toda inquietação de obra de Deus.
— Não.
A resposta veio sem hesitação.
— Como saberei?
O Rei olhou para ele.
— Pela verdade para a qual ela o conduz.
O Aprendiz esperou.
Cristo continuou:
— O Espírito não chama atenção para Si mesmo afastando os olhos de Mim. Ele convence para que a verdade seja conhecida. A Palavra não foi dada para encerrar o homem em sua culpa, mas para fazê-lo ver aquilo que o impede de reconhecer sua necessidade de Deus.
O Rei não disse mais.
E não precisava.
O Aprendiz percebeu que aquela era uma salvaguarda importante. A inquietação espiritual não deveria tornar-se objeto de fascínio. O objetivo do convencimento não era ensinar alguém a contemplar indefinidamente a própria miséria. O coração precisava ser exposto porque Cristo precisava ser visto como necessário.
Voltaram ao caminho principal.
Pouco depois, chegaram a uma área na qual várias pedras haviam sido retiradas recentemente. O Aprendiz reconheceu ali algo parecido com o que vira antes do amanhecer. Desta vez, porém, as pedras não estavam apenas reunidas junto à borda. Algumas haviam deixado cavidades profundas, e a terra ao redor ainda conservava marcas de esforço.
Ele parou diante de uma delas.
— Isso também faz parte do trabalho?
— Faz.
— Antes do broto?
— Antes do broto.
O Aprendiz passou a mão pela borda da cavidade. Sentiu vontade de perguntar sobre cada pedra, cada obstáculo e cada razão pela qual alguns permaneciam enquanto outros haviam sido retirados. Mas recordou o que já aprendera: aquilo que estava diante dos olhos podia revelar uma verdade sem lhe entregar todas as causas. Por enquanto, não precisava compreender cada pedra. Bastava reconhecer que, muito antes de qualquer broto, havia trabalho.
O Pai não esperava a árvore aparecer para então começar a interessar-se pelo terreno. Sua iniciativa não era uma reação ao fruto. A própria possibilidade de o Aprendiz reconhecer alguma coisa havia sido antecedida por uma história que não nascera nele.
A lembrança de João 16 voltou.
A Palavra trazia conteúdo. Não um sentimento indefinido, não uma impressão religiosa, mas verdade: pecado, justiça, juízo, Cristo. E o Espírito não era uma força espalhada pelo Pomar, como a água dos canais ou o vento que atravessava as folhas. Era o próprio Espírito de Deus, pessoal e soberano, aplicando a verdade de maneira que aquilo que antes podia ser ignorado começasse a exigir resposta.
O Aprendiz contemplou a água que ainda corria a alguns metros dali. A imagem continuava útil justamente porque não precisava ser transformada em identidade. A água era água. O Espírito era o Espírito. Ainda assim, o que observava no terreno o ajudava a compreender que um mesmo cuidado podia fazer mais do que produzir resultados visíveis: podia revelar o estado daquilo que tocava.
— Então a Palavra e o Espírito trabalham juntos?
— Meu Espírito não precisa inventar outra verdade além daquela que Eu revelei — respondeu o Rei. — E as palavras de Deus não foram entregues aos homens para que eles dependessem apenas da própria capacidade de enxergá-las.
O Aprendiz pensou nas Escrituras de maneira diferente. A Palavra não era uma semente mágica cuja presença física obrigasse o coração a produzir determinado resultado, nem o Espírito agia como se o conteúdo revelado fosse dispensável. O Deus que falava era o mesmo Deus que fazia Sua verdade alcançar a consciência. O conteúdo não era separado do Agente; o Agente não precisava de um evangelho diferente daquele que havia sido dado.
Ele sentiu a necessidade de formular cuidadosamente aquilo que começava a entender.
— Então, quando alguém começa a enxergar o que antes não enxergava, não deve se orgulhar como se tivesse criado a luz.
O Rei olhou para ele.
— Quem abre os olhos para a luz não inventou o sol.
A imagem ficou com ele.
Caminharam até uma pequena elevação de onde podiam ver novamente a área atravessada desde o amanhecer. Agora, sob o sol mais alto, os sinais de cultivo eram mais evidentes. O Aprendiz conseguia distinguir os canais, os montes de pedras, as áreas revolvidas e os trechos em que a terra ainda parecia intocada. Via também algumas árvores ao fundo, mas, pela primeira vez, não eram elas que dominavam sua atenção.
O trabalho invisível começava a tornar-se visível para ele. Não porque tivesse aprendido a explicar tudo. Muito pelo contrário.
Quanto mais percebia a extensão daquele cuidado, mais se dava conta de quantas coisas desconhecia. Não sabia por que determinado terreno havia recebido certo tratamento. Não sabia quanto tempo o Agricultor trabalhara em cada área. Não sabia por que algumas marcas eram antigas e outras recentes. E, sobretudo, não sabia o que aconteceria em cada lugar.
Mas já podia afirmar algo que algumas horas antes lhe escapava: a ausência de fruto não lhe dava autoridade para declarar a ausência de ação divina. Essa percepção produziu nele uma gratidão inesperada.
Durante muito tempo agradecera a Deus pelas coisas que conseguia nomear: respostas, mudanças, livramentos, frutos, decisões, momentos de clareza. Agora imaginava quantas misericórdias haviam passado pela sua história sem receber agradecimento porque chegaram antes que tivesse olhos para reconhecê-las. Talvez a primeira graça de que nos lembramos raramente seja a primeira graça que nos alcançou.
A frase surgiu em sua mente, mas ele não a disse. Aprendera o suficiente naquela manhã para desconfiar das conclusões que chegavam cedo demais. Preferiu permanecer com a pergunta.
O Rei começou a descer a elevação. Desta vez, o Aprendiz o seguiu sem demora.
Passaram novamente pelo terreno que encerrara a caminhada antes do amanhecer. A luz agora o alcançava por inteiro. Ele esperava que o sol revelasse algum broto que a escuridão lhe tivesse escondido.
Não revelou.
A terra continuava sem caule, sem folha e sem fruto. Ainda assim, já não parecia vazia.
O Aprendiz reconheceu os sulcos. Viu a diferença de tonalidade onde a água penetrara. Percebeu pequenas marcas deixadas pela remoção das pedras. Num canto, o solo havia sido protegido do escoamento excessivo por uma pequena barreira de madeira.
O Rei parou.
— O que vê agora?
O Aprendiz demorou a responder. Pela manhã, dissera “terra”. Depois, corrigira: “não há nada que eu consiga ver”. Agora aquela resposta também lhe parecia insuficiente.
— Vejo trabalho.
O Rei esperou.
— Vejo cuidado antes do resultado.
Cristo permaneceu em silêncio.
— Vejo que alguém esteve aqui antes de mim.
Ainda nenhuma resposta.
O Aprendiz voltou os olhos para a terra.
— E vejo que eu não saberia reconhecer tudo isso se não tivesse aprendido primeiro a procurar.
O Rei então seguiu adiante.
O Aprendiz permaneceu alguns instantes junto ao terreno. A gratidão que sentia não era a euforia de quem encontrara uma fórmula capaz de explicar por que algumas pessoas respondem e outras não. Essa pergunta continuava adiante, ainda envolta em mistério. Também não possuía agora uma técnica para determinar em quem Deus estava trabalhando, nem uma maneira de medir a profundidade de cada movimento da consciência.
Tinha apenas aprendido a não começar a história tarde demais.
Quando voltou ao caminho, encontrou o Rei alguns metros adiante. Perto dEle, sobre um pano estendido à sombra, havia um pequeno recipiente com sementes.
O Aprendiz diminuiu o passo.
Poucas horas antes, provavelmente teria olhado primeiro para elas. Perguntaria que tipo de árvores produziriam, quanto tempo levariam para crescer e que quantidade de frutos poderiam dar.
Agora, antes de tocar em qualquer uma, olhou para o terreno.
O Rei percebeu.
Não disse nada.
E o Aprendiz entendeu que a próxima pergunta já estava diante deles.
Quer acompanhar os próximos capítulos e receber os avisos de lançamento?
Entre para a comunidade Até a Última Página e caminhe conosco até o fim desta jornada.Acesse pelo link: Até a Última Página
💡 Apoie este projeto
Se este conteúdo foi útil, considere apoiar com uma oferta, assinatura ou usando os links de afiliado.