Se Deus é Bom… Então Por Que Existe Tanto Mal?
Há uma forma de pensar que parece simples, mas que esconde um grande perigo espiritual: tratar o bem e o mal como se não houvesse diferença real entre eles. Quando essa distinção perde o peso, torna-se fácil afirmar que tudo o que existe no mundo procede igualmente de Deus, sem qualquer ressalva.
Mas essa ideia começa a ruir no momento em que levamos o mal a sério.
Se reconhecemos que certas realidades são verdadeiramente erradas — como a dor profunda, a injustiça cruel ou o sofrimento que dilacera a vida — e, ao mesmo tempo, cremos que Deus é absolutamente bom, então não podemos afirmar que tudo, indistintamente, reflete a Sua vontade.
Isso nos conduz a uma verdade mais profunda: Deus não está em perfeita harmonia com tudo o que vemos neste mundo caído. Há coisas que existem aqui que não correspondem ao Seu caráter, nem ao Seu propósito original.
Diante do sofrimento, algumas visões espiritualizadas tentam suavizar a realidade dizendo:
“Se você pudesse enxergar como Deus vê, entenderia que isso também faz parte dEle.”
Mas essa resposta, embora pareça elevada, ignora algo essencial.
O cristianismo não é uma fé que dissolve o mal em explicações abstratas. Ele é uma fé que encara o mal de frente.
Ele afirma que Deus é o Criador de todas as coisas — do tempo, do espaço, da vida, da beleza e da ordem. Tudo o que foi criado, em sua origem, era bom, pois procedia da mente e da vontade perfeita de Deus.
Mas também declara, com igual firmeza, que esse mundo foi profundamente corrompido.
Aquilo que vemos hoje não é uma expressão pura da criação original, mas uma realidade marcada pela queda, pela desordem e pela ruptura com Deus. O sofrimento, a injustiça e a degradação não são reflexos da bondade divina, mas sinais de que algo saiu do lugar.
E é aqui que o cristianismo se revela como uma fé de luta.
Ele não nos convida a aceitar o mal como parte natural da realidade, nem a espiritualizá-lo como se fosse algo bom em si. Pelo contrário, ele nos chama a reconhecer que o mundo precisa ser restaurado — e que nós mesmos fazemos parte dessa restauração.
Há um chamado divino ecoando na história: resistir ao mal, rejeitar a corrupção e cooperar com Deus naquilo que Ele está redimindo.
Porque a verdadeira fé não fecha os olhos para o que está errado. Ela discerne, confronta e anseia pela restauração.
Por isso, a pergunta que permanece não é apenas como explicamos o mundo, mas como nos posicionamos dentro dele:
Estamos aceitando o que Deus deseja transformar — ou estamos nos alinhando com Ele na obra de restauração?
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