Inimigos da Bondade
Se Deus realmente existe — ainda que alguém o imagine apenas como uma força ou princípio de bondade absoluta — dificilmente poderíamos permanecer indiferentes diante dEle. Sua existência não nos deixaria totalmente à vontade. Pelo contrário, despertaria em nós uma inquietação profunda.
Há algo dentro de cada ser humano que reconhece a verdade moral. Mesmo quando tentamos ignorá-la, nossa consciência sabe que a ganância, a mentira e a exploração são erradas. No fundo, concordamos com essa condenação. Ainda assim, frequentemente desejamos que Deus faça uma exceção em nosso caso — que releve nossas falhas, que nos conceda apenas mais uma oportunidade, como se pudéssemos escapar do peso daquilo que sabemos ser errado.
Mas se Deus realmente é bom, Ele não pode simplesmente ignorar o mal. Uma bondade perfeita não pode tratar a injustiça como se não fosse nada. Por isso, quando pensamos seriamente sobre essa bondade absoluta, percebemos algo perturbador: muitas vezes estamos vivendo em oposição a ela.
Esse é o nosso dilema. Não conseguimos viver sem a bondade, pois é dela que vem toda esperança, sentido e consolo. Ao mesmo tempo, a sua luz expõe nossas falhas, nossas intenções e nossos pecados. Assim, aquilo que deveria ser nossa segurança também se torna motivo de temor.
Deus é, ao mesmo tempo, o nosso maior consolo e o nosso mais profundo temor. É dEle que mais precisamos, mas também é de quem frequentemente tentamos nos esconder. Ele é o único aliado verdadeiro que poderíamos ter — contudo, em nossas escolhas e atitudes, muitas vezes nos colocamos contra Ele.
Talvez por isso algumas pessoas tratem a fé de forma superficial, como se a presença de Deus fosse apenas um detalhe agradável da vida. Falam dEle com leveza, quase como quem brinca de religião. Mas quem realmente considera a santidade de Deus percebe que estar diante dEle é algo infinitamente mais sério.
A bondade de Deus pode significar duas coisas para nós: segurança absoluta ou perigo absoluto. Tudo depende da nossa atitude diante dela.
Se nos rendermos à verdade e reconhecermos nossa necessidade de graça, essa bondade se torna refúgio e esperança. Mas se insistirmos em resistir a ela, então a própria bondade que poderia nos salvar passa a nos confrontar.
Por isso, a grande pergunta não é apenas se Deus é bom. A pergunta é: qual é a nossa atitude diante dessa bondade?
Para complementar a reflexão, assista a um breve Podcast sobre esse assunto no vídeo abaixo:
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