Livro Jornada ao Santuário
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Arauto de Deus
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Capítulo 11 – O Plano de Fundo do Evangelho
Antes de falar sobre o Evangelho, é essencial apresentar o contexto que o tornou necessário: o plano de fundo do Evangelho. Muitas pessoas não compreendem plenamente o significado da vinda e da morte de Cristo. Entender o “porquê” disso tudo é crucial para percebermos a importância do novo nascimento e da salvação.
A Necessidade do Novo Nascimento
Se você chegou até aqui, provavelmente já refletiu sobre os sinais que caracterizam um verdadeiro cristão. Caso esses sinais não estejam presentes em sua vida, isso pode indicar que você ainda não teve um encontro pessoal com Cristo — ou seja, ainda não nasceu de novo. E Jesus disse:
“Vos é necessário nascer de novo.” (João 3:7)
Para isso acontecer você tem que ouvir e entender o Evangelho, entretanto, muitas vezes o Evangelho não é valorizado como deveria, justamente porque seu contexto não é compreendido. Para enxergar o brilho de uma estrela, é preciso que a noite caia. Da mesma forma, para apreciar a beleza de um diamante, geralmente ele é colocado sobre um tecido escuro. O plano de fundo dá destaque e valor àquilo que é essencial.
O Contexto do Evangelho
O plano de fundo do Evangelho está espalhado pelas Escrituras, como peças de um quebra-cabeça, que juntas revelam o princípio de todas as coisas, as causas e consequências que culminaram na vinda de Cristo. A compreensão desse plano amplia nossa visão sobre os eventos históricos e espirituais, permitindo que demos o devido valor à cruz e ao novo nascimento.
Jesus disse que “é necessário nascer de novo“. Mas por que isso é necessário? Para responder, precisamos retroceder e olhar para o plano de fundo — uma visão panorâmica de tudo o que aconteceu antes, de modo a compreender a necessidade da vinda, morte e ressurreição de Cristo.
Sem esse entendimento, muitos não perceberão o valor do sacrifício de Jesus e a relevância do novo nascimento. Esse processo, de acordo com as evidências bíblicas e com o que testemunhamos rotineiramente em nossas igrejas, nem sempre é algo automático ou instantâneo, como frequentemente é tratado. Ele envolve compreensão, reflexão e transformação genuína.
Perguntas e Reflexões
Para entrar no Reino de Deus, Jesus disse que precisamos ser como crianças. E o que as crianças fazem melhor? Elas perguntam.
Elas querem aprender, entender e não têm vergonha de questionar. Da mesma forma, somos chamados a buscar o entendimento sobre Deus, sua vontade e o significado do novo nascimento com curiosidade e anseio.
Este capítulo foi planejado com perguntas e respostas, para que você possa refletir e acompanhar a linha de raciocínio.
Uma Mensagem para Novos Convertidos e Amigos do Evangelho
Se você é um novo convertido ou está começando a entender o Evangelho, este conteúdo foi elaborado para ajudá-lo a compreender as razões por trás do sacrifício de Cristo. É um convite para que você examine o plano de fundo da história bíblica e perceba a magnitude do que Jesus fez por nós.
A seguir, exploraremos com mais detalhes o contexto e as respostas a algumas questões fundamentais, apontando para a cruz e para o novo nascimento. Vamos começar?
Questão 1: Por que o novo nascimento é necessário?
O novo nascimento é necessário porque Jesus afirmou:
“Vos é necessário nascer de novo.” (João 3:7)
Mas por que Ele disse isso? A razão está no estado espiritual em que nos encontramos: estamos mortos em nossos pecados. No primeiro nascimento, herdamos a natureza caída de Adão e o pecado original. Isso significa que já nascemos separados de Deus, espiritualmente mortos.
Somos pecadores, como foi explicado anteriormente. Essa condição é a base de tudo o que estamos discutindo aqui. Por isso, Jesus declara que precisamos nascer de novo — para que possamos deixar a morte espiritual e experimentar a verdadeira vida em comunhão com Deus.
No fundo, a mensagem é clara: nosso estado natural é de separação de Deus e o novo nascimento é o caminho para sermos restaurados.
Questão 2: Por que nos encontramos mortos?
Estamos mortos espiritualmente porque nascemos em pecado. O pecado entrou no mundo por meio de Adão e Eva. Como está escrito:
“Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Romanos 5:12)
Deus advertiu a Adão:
“No dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:17)
Quando Adão e Eva desobedeceram, o pecado trouxe morte espiritual imediata — uma separação de Deus. Embora eles não tenham morrido fisicamente naquele momento, a morte física também passou a ser uma realidade inevitável.
Desde então, todos os seres humanos nascem espiritualmente mortos, afastados de Deus e sem comunhão com Ele. É por isso que precisamos do novo nascimento: para sermos trazidos de volta à vida espiritual.
Questão 3: Por que Adão e Eva pecaram?
Adão e Eva pecaram porque foram seduzidos e enganados por Satanás. Ele usou a dúvida e a mentira para distorcer a palavra de Deus, levando-os a desobedecer.
Quando Deus criou Adão e Eva, eles eram perfeitos e viviam em plena comunhão com Ele. Porém, o livre-arbítrio lhes permitia escolher entre obedecer ou desobedecer. Ao escolherem desobedecer, caíram na armadilha do pecado.
Isso nos leva a um ponto importante: a queda de Adão e Eva não foi apenas um ato isolado. Ela teve consequências cósmicas, afetando toda a humanidade. Como resultado, todos nós herdamos uma natureza pecaminosa, inclinada ao erro e separada de Deus.
Questão 4: Por que Satanás enganou Eva?
A resposta está na própria essência de Satanás: ele peca desde o princípio. A Bíblia deixa claro que o primeiro ser a cometer pecado foi o próprio Satanás. Ele é a origem do pecado, o arquétipo da rebelião contra Deus.
Em 1 João 3:8, está escrito:
“Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo.”
Além disso, Jesus ensina em João 8:44:
“Vós tendes por pai o diabo e quereis satisfazer os desejos do vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.”
Desde o início, Satanás tem operado como o grande adversário de Deus e da humanidade. Ele mente, engana e semeia o pecado. No Éden, sua intenção era afastar a criação de Deus de Sua presença perfeita e desviar a adoração que pertence unicamente ao Criador.
A rebelião de Satanás não foi um evento isolado, mas parte de seu propósito contínuo de se opor a Deus e corromper Sua criação. Essa reflexão nos leva à próxima pergunta:
Questão 5: Quem criou Satanás?
Se Satanás peca desde o princípio, quem foi responsável por criá-lo? Primeiramente, é fundamental entender que Satanás não foi criado como um ser maligno. Ele mesmo se tornou Satanás. Deus não cria o mal; Satanás tornou-se o que é por sua própria escolha.
Essa resposta encontra respaldo nas Escrituras. Em Ezequiel 28:12-17, temos um texto frequentemente interpretado como uma descrição da queda de Satanás. Apesar de o título do texto mencionar o “rei de Tiro“, quando analisamos o conteúdo, percebe-se que não está tratando de um ser humano. O texto utiliza a palavra “querubim” — uma referência clara a uma criatura angelical criada por Deus. Diz assim:
“Você era o modelo de perfeição, cheio de sabedoria e beleza. Estava no Éden, o jardim de Deus; suas vestes eram adornadas com toda sorte de pedras preciosas… No dia em que você foi criado, foram preparadas. Você foi ungido como querubim guardião, pois para isso eu o designei. Você estava no monte santo de Deus e caminhava entre as pedras brilhantes. Você era irrepreensível em seus caminhos desde o dia em que foi criado, até que se achou maldade em você.”
O texto descreve uma criatura angelical perfeita, criada por Deus com beleza e sabedoria, que posteriormente se corrompeu. Não parece tratar-se de um homem comum, mas de um ser sobrenatural que perdeu sua posição devido à sua corrupção.
Além disso, em Isaías 14:12-15, encontramos outra alusão:
“Como você caiu do céu, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Você foi lançado à terra, você que derrubava as nações! Você disse no seu coração: ‘Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; dominarei no monte da assembleia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo.’ Mas às profundezas do Sheol você será levado, ao mais profundo abismo.”
Esses versículos revelam a essência da queda de Satanás: orgulho e desejo de ser como Deus. Ele ansiava pela adoração que pertence apenas ao Criador, buscando usurpar a posição de Deus.
No Novo Testamento, em 2 Tessalonicenses 2:1-4, Paulo descreve o “homem do pecado”, um futuro representante do poder de Satanás, que buscará adoração:
“O qual se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, chegando até a assentar-se no templo de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus.”
Essa busca pela adoração remonta ao início. Satanás desejava ser adorado como Deus. Isso é confirmado em Apocalipse 13:1-4, onde o dragão (Satanás) concede poder à besta (o Anticristo), que será adorada pelos perdidos. Mas, ao adorarem a besta, eles na verdade estão adorando o dragão:
“E adoraram o dragão que tinha dado autoridade à besta, e adoraram a besta, dizendo: ‘Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?'”
Satanás busca receber a adoração destinada a Deus. Por isso, a idolatria é condenada em toda a Bíblia. Paulo, em 1 Coríntios 10:19-20, alerta que a idolatria é uma adoração oferecida a demônios:
“Então o que estou tentando dizer? Que a comida oferecida a ídolos tem alguma importância, ou que os ídolos são deuses de verdade? De maneira nenhuma! Estou dizendo que esses sacrifícios são oferecidos a demônios e não a Deus. E não quero que vocês tenham parte com demônios.”
Deus criou Lúcifer como um ser perfeito e glorioso, mas ele escolheu rebelar-se, corrompendo-se por inveja, orgulho e desejo de adoração. Assim, tornou-se Satanás, o adversário.
Questão 6: Onde Satanás cometeu seu primeiro pecado?
Onde Satanás pecou pela primeira vez? Sabemos que ele foi criado como um ser perfeito, mas em que lugar ele cometeu o pecado que resultou em sua queda?
A resposta é clara: Satanás pecou no céu, na própria presença de Deus.
Em Ezequiel 28:12-17, vimos que Satanás, descrito como um querubim ungido, estava no “monte santo de Deus“. Isso aponta para o fato de que ele tinha acesso direto à glória divina, pois os querubins são descritos nas Escrituras como anjos que cercam o trono de Deus. A passagem menciona:
“Você estava no monte santo de Deus e caminhava entre as pedras brilhantes. Você era irrepreensível em seus caminhos desde o dia em que foi criado, até que se achou maldade em você… Eu o expulsei, ó querubim guardião, do monte de Deus.”
Além disso, em Isaías 14:12-15, é dito que Satanás “caiu do céu” após se rebelar contra Deus:
“Como você caiu do céu, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Você foi lançado à terra…”
Portanto, o primeiro pecado de Satanás aconteceu no céu, onde ele estava na presença de Deus como um querubim guardião. Ele pecou por orgulho e ambição, desejando ser como Deus e buscando a adoração que pertence apenas ao Criador. Essa rebelião contra Deus o levou a ser expulso do céu e lançado à terra.
Questão 7: Para onde Satanás foi lançado?
A Bíblia é clara ao afirmar que Satanás, após seu pecado, foi lançado à terra. Ele pecou no céu, mas sua rebelião teve como consequência sua expulsão definitiva da presença de Deus. Em Apocalipse 12:7-9, encontramos um relato detalhado dessa expulsão:
“Houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos batalhavam contra o dragão. E batalhavam o dragão e os seus anjos. Mas estes não foram fortes o suficiente, e não mais se achou o seu lugar no céu. Foi então lançado o grande dragão, a antiga serpente, chamada Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.”
O “dragão” mencionado no texto é Satanás, também chamado de “antiga serpente“, por ter enganado Eva no Éden. Ele é descrito como o enganador de toda a humanidade, e seus anjos caídos (agora conhecidos como demônios) foram igualmente lançados à terra junto com ele.
Os Demônios no Contexto Atual
Os demônios são esses mesmos anjos caídos. Eles podem aparecer em situações como possessões, manifestações durante cultos e até mesmo nas práticas espiritualistas que alegam comunicação com espíritos de pessoas falecidas.
No entanto, é importante destacar que esses “espíritos” não são almas de pessoas que morreram. A Bíblia ensina que, ao morrer, o destino do ser humano é selado (Eclesiastes 9:5-6; hebreus 9:27). Portanto, o que os médiuns ou praticantes de espiritismo recebem são, na verdade, demônios que enganam, fazendo-se passar por entes queridos.
Como os Demônios Enganam?
Esses anjos caídos possuem habilidades sobre-humanas:
- Memória Inalterável: Eles não envelhecem nem perdem informações. Tudo o que presenciaram ou souberam ao longo da história fica registrado em suas mentes.
- Imitação Perfeita: Eles podem reproduzir características físicas, caligrafia, voz, memórias e até o perfume de uma pessoa falecida, enganando os vivos de forma convincente.
- Conhecimento Familiar: A Bíblia se refere a eles como “espíritos familiares” (Levítico 19:31). Esses demônios muitas vezes estão associados a uma determinada família ou pessoa, conhecendo detalhes íntimos que só reforçam a ilusão de que sejam “espíritos de mortos”.
Ao criar essas ilusões, Satanás e seus demônios tentam afastar as pessoas da verdade de Deus. Eles desviam a atenção do Evangelho, fazendo com que as pessoas busquem respostas e consolo em práticas condenadas pela Bíblia, como consultar médiuns ou buscar comunicação com os mortos.
Satanás foi lançado à terra e seus anjos caídos estão aqui, operando enganos de várias formas. A Bíblia nos alerta sobre essas ciladas e nos convida a buscar refúgio e orientação unicamente em Deus. Qualquer prática que envolva comunicação com “espíritos” deve ser rejeitada, pois é uma artimanha de Satanás para desviar as pessoas da verdade divina.
Questão 8: Quando tudo isso aconteceu?
Tudo indica que a rebelião de Satanás ocorreu no princípio. A Bíblia afirma que Satanás é pecador e homicida “desde o princípio” (João 8:44). Esse “princípio” parece coincidir com o momento em que Deus criou os céus e a terra (Gênesis 1:1). É importante notar que, nesse período inicial, a humanidade ainda não havia sido criada, pois os seres humanos foram formados posteriormente.
Questão 9: O que Deus fez em seguida à rebelião?
Após a rebelião de Satanás e sua expulsão do céu, Deus começou a preparar a terra para receber a sua maior criação: o ser humano. A sequência dos eventos sugere que, enquanto Satanás e seus anjos caídos eram lançados na terra, ela ainda estava “sem forma e vazia” (Gênesis 1:2). Foi então que Deus iniciou a organização e o embelezamento do mundo, criando tudo o que seria necessário para o homem habitar.
O Salmo 8:3-8 reflete a majestade do plano de Deus para a humanidade:
“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Tu o fizeste dominar sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: todas as ovelhas e bois, bem como os animais do campo, as aves do céu, os peixes do mar, e tudo o que percorre as veredas dos mares.”
Essa passagem destaca como Deus não apenas criou o homem, mas também o colocou em posição de domínio sobre toda a criação terrestre.
O Governo de Adão
Quando Deus concluiu sua obra, Ele confiou a Adão o domínio sobre a terra. Adão foi criado “um pouco menor do que os anjos“, conforme mencionado no Salmo 8. Seu papel era governar sobre as criaturas da terra, exercendo autoridade como representante de Deus.
Questão 10: Mas quem já estava aqui, quando Deus criou todas as coisas na Terra?
Quando Deus restaurou a Terra que estava sem forma e vazia (Gênesis 1:2), criando o ambiente perfeito para o homem e colocando-o no Jardim do Éden, Satanás e seus anjos já habitavam este mundo. Eles haviam sido expulsos do céu após sua rebelião e estavam presentes na Terra, o que nos leva à próxima questão inevitável:
Questão 11: Por que Deus não destruiu Satanás e seus anjos antes de criar o homem?
À primeira vista, pode parecer que destruir Satanás e seus anjos antes de criar a humanidade seria uma solução mais lógica. Sem a presença do mal, Adão e Eva poderiam viver em paz, sem a influência de tentações. No entanto, Deus, sendo onisciente, tinha um propósito muito maior em mente.
Deus sabia que Satanás tentaria o homem. Ele sabia que Adão e Eva cairiam. Como Deus sabe de tudo (Salmos 147:5), Ele não foi pego de surpresa. Porém, em vez de impedir essas coisas, Deus permitiu que acontecessem para um propósito maior: mostrar as consequências do pecado e revelar a profundidade do Seu amor e justiça.
Por que Deus permitiu a rebelião?
Satanás se rebelou contra Deus porque desejava ser igual ao Criador, movido por orgulho e inveja (Isaías 14:13-14; Ezequiel 28:17). Ele convenceu um terço dos anjos a se juntar à sua causa, mas Deus não os destruiu imediatamente. Por quê?
- Os anjos celestiais não entendiam as consequências do pecado: Antes da rebelião, todos os seres celestiais viviam em harmonia com Deus, em perfeita obediência e amor. Eles nunca haviam visto o que acontece quando alguém desobedece a Deus, pois o pecado e suas consequências ainda não existiam.
- Destruir Satanás imediatamente poderia gerar medo, não amor: Se Deus tivesse destruído Satanás e os anjos rebeldes de imediato, os anjos que permaneceram fiéis poderiam ter dúvidas sobre o caráter de Deus. Será que Deus é justo? Será que Ele está ocultando algo? Esse medo comprometeria o relacionamento de amor entre os anjos e Deus.
Como diz 1 João 4:18:
“No amor não há medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo.”
Deus é amor (1 João 4:16) e um relacionamento baseado no medo seria contrário ao Seu caráter.
Questão 12: O que aconteceria se Deus destruísse Satanás imediatamente?
Se Deus tivesse destruído Satanás e seus anjos no momento da rebelião, os demais seres celestiais poderiam passar a adorar a Deus por medo e não por amor. Esse tipo de adoração não é verdadeira, porque se afasta da essência do amor divino.
Adoração por medo cria um afastamento de Deus, pois onde há medo, não há comunhão perfeita com o amor. E Deus é amor. Isso colocaria toda a criação em risco de extinção, pois se afastar de Deus é se afastar da fonte de vida.
Portanto, ao permitir que Satanás e os anjos rebeldes continuassem existindo, Deus deu a todos uma oportunidade de compreender plenamente a malignidade do pecado. Os seres celestiais que permaneceram fiéis puderam testemunhar os resultados da rebelião: destruição, sofrimento e morte. Eles, então, perceberiam que estar ao lado de Deus e viver em obediência aos Seus princípios seria a única escolha que leva à verdadeira felicidade e plenitude.
Questão 13: O que Deus fez diante desse contexto?
Deus, em Sua infinita sabedoria, adiou a punição de Satanás e seus anjos e deu início ao Seu eterno plano de trazer todas as coisas a Si por meio de Cristo Jesus. Esse plano não foi improvisado, mas já estava preparado desde a eternidade para demonstrar Seu amor, justiça e misericórdia.
O contexto da rebelião
Quando Satanás se rebelou, Deus não o destruiu imediatamente, nem os anjos que o seguiram. Eles foram expulsos do céu e enviados à Terra. Mais tarde, Deus, ao encontrar a Terra em caos e sem forma, organizou-a, criando um ambiente perfeito para receber a humanidade, feita à Sua imagem e semelhança.
Deus criou Adão e Eva e permitiu que Satanás os tentasse. Ele já sabia que essa tentação resultaria na queda e na entrada do pecado no mundo, trazendo morte, dor e maldade. Porém, ao permitir que isso acontecesse, Deus tinha um propósito maior: demonstrar às Suas criaturas, tanto na Terra quanto no céu, as terríveis consequências de viver afastado d’Ele.
Por que Deus permitiu o pecado?
Deus permitiu que a maldade se manifestasse para que todos compreendessem os resultados da desobediência e da rejeição ao Seu governo. Os anjos que permaneceram fiéis a Deus no céu puderam observar, com seus próprios olhos, os efeitos devastadores de um mundo governado por Satanás – um mundo caído, repleto de sofrimento, morte e tristeza.
Essa permissão não foi uma atitude de descaso ou maldade, mas parte de um plano para ensinar a todos que viver em desacordo com a vontade de Deus é destrutivo e prejudicial.
Deus deu liberdade, não imposição
É importante destacar que Deus foi justo com Adão e Eva. Ele deu a eles liberdade de escolha e avisou claramente sobre as consequências da desobediência:
“De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16-17)
A queda foi resultado de uma escolha consciente de Adão e Eva, influenciada por Satanás. Deus não os forçou a obedecer nem os induziu a pecar. Sua justiça e amor foram evidentes desde o princípio.
O plano redentor de Deus
Mesmo antes da criação, Deus sabia que a humanidade cairia. Ainda assim, Ele preparou uma solução para o problema do pecado: o envio de Seu Filho, Jesus Cristo, como sacrifício para redimir a humanidade.
“Ele [Jesus] foi escolhido antes da criação do mundo, mas revelado nestes últimos tempos por causa de vocês.” (1 Pedro 1:20)
“O Cordeiro que foi morto antes da criação do mundo.” (Apocalipse 13:8)
O sacrifício de Cristo não apenas trouxe redenção para a humanidade, mas também demonstrou o caráter amoroso de Deus, que não apenas cria, mas também se sacrifica em prol de Sua criação.
Com isso, Deus não apenas revelou o que significa o pecado, mas também o que significa o amor. O sacrifício de Cristo foi a resposta divina para restaurar a harmonia perdida, tanto na Terra quanto no céu.
O Projeto de Deus: Redenção e Novo Nascimento
Desde o início, o plano de Deus sempre foi Cristo e todos à Sua imagem, conformados a Cristo. Quando Satanás se rebelou e os anjos caíram com ele, Deus entrou em ação para cumprir esse propósito. O projeto divino envolvia trazer Cristo em forma humana, para, através d’Ele, redimir, purificar e restaurar todas as coisas, repovoando o céu com seres recriados à imagem de Cristo, em glória e santidade.
O plano experimentado por Cristo
Deus não apenas idealizou esse processo, mas o experimentou em Seu Filho. Jesus assumiu nossa natureza humana, nasceu de mulher e se tornou o primeiro a trilhar o caminho que Deus preparou para a humanidade. Ele passou por todas as etapas necessárias:
- Nasceu de mulher: Veio ao mundo assumindo a nossa natureza adâmica, mas sem pecado.
- Novo nascimento: Mesmo sem pecado, Jesus foi batizado e recebeu o Espírito Santo, simbolizando o início de uma nova vida no Espírito.
- Glorificação: Morreu e após Sua ressurreição, recebeu um corpo glorificado – o mesmo que todos os salvos terão no futuro.
Cristo tornou-se o modelo para todos nós. Ele veio como o “último Adão” vivendo como homem para mostrar que é necessário passar pelo processo de novo nascimento para entrar no Reino de Deus.
O Novo Nascimento: Uma Necessidade
Quando Jesus conversou com Nicodemos, Ele foi claro:
“Na verdade, na verdade te digo, aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3)
Nascer de novo significa ser transformado pelo Espírito Santo. Jesus demonstrou isso ao ser batizado, mesmo sem precisar de arrependimento, cumprindo toda a justiça. Após o batismo, o Espírito Santo desceu sobre Ele, simbolizando o novo nascimento – algo que também deve ocorrer conosco.
O apóstolo Paulo também enfatiza essa verdade em 1 Coríntios 15:45-50:
- O primeiro Adão foi feito alma vivente; o último Adão, Espírito vivificante.
- Assim como herdamos a natureza terrena do primeiro Adão, herdaremos a natureza celestial do último Adão, Cristo.
Paulo destaca que aqueles que pertencem a Cristo devem passar por esse processo. Não basta nascer na carne, com a natureza pecaminosa de Adão. É necessário nascer do Espírito para herdar o Reino de Deus.
Então, o que significa nascer de novo?
Em resumo, o novo nascimento ocorre quando há:
- Arrependimento: Reconhecer o pecado e se render a Cristo.
- Batismo nas águas: Um ato de fé, simbolizando a morte para o pecado e o renascimento para uma nova vida.
- Receber o Espírito Santo: Ser selado por Deus com o Espírito Santo e transformado numa nova criatura.
Sem isso, ninguém pode entrar no Reino de Deus. Como Paulo escreve:
“Carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção.” (1 Coríntios 15:50)
A promessa de glorificação
Cristo, como o primeiro a passar por esse processo, garantiu que todo aquele que estiver n’Ele também o experimentará:
- O que é corruptível será revestido de incorruptibilidade.
- O que é mortal será revestido de imortalidade.
Quando Cristo voltar, os que nasceram de novo receberão corpos glorificados, semelhantes ao d’Ele e habitarão eternamente com Deus.
Uma reflexão pessoal
Você já nasceu de novo?
- Já experimentou as marcas de uma verdadeira conversão?
- Arrependeu-se, rendeu-se a Cristo e foi selado pelo Espírito Santo?
Se não, ainda há tempo para se entregar a Deus e iniciar esse processo. Afinal, como Jesus declarou:
“Necessário vos é nascer de novo.” (João 3:7)
O novo nascimento é o começo de uma jornada eterna com Deus – um convite à transformação e à vida celestial prometida em Cristo.
Conclusão
Deus, em Sua infinita sabedoria, utilizou o contratempo da rebelião de Satanás para revelar o Seu caráter de amor infinito em Cristo Jesus. Por meio d’Ele, Deus não apenas redime a humanidade, mas também repovoa o céu com seres conformados à imagem de Cristo.
Desde a entrada do pecado na humanidade, a Terra se tornou numa espécie de palco, um “reality show” celestial, onde todos os seres celestiais podem observar as terríveis consequências da desobediência iniciada por Satanás. No sacrifício de Jesus, os anjos reconheceram a magnitude do amor de Deus e Sua justiça, além da malignidade do pecado ao ver o Filho de Deus morrer como consequência. Agora, aguardam ansiosos pela consumação de todas as coisas: o novo céu e a nova terra, onde viveremos eternamente com Deus.
Por que é necessário nascer de novo?
Deus é Espírito e Ele busca adoradores que O adorem em espírito e em verdade. Para isso, é indispensável o novo nascimento – uma transformação espiritual e sobrenatural que nos torna capazes de verdadeira comunhão com Ele. Jesus ensinou:
“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.” (João 3:6)
Somente aqueles que passam pelo novo nascimento podem adorar a Deus “em espírito e em verdade” de forma que gere intimidade e comunhão genuína. Não basta frequentar uma igreja ou participar de rituais religiosos. Estar presente num prédio ou seguir tradições não cria comunhão com Deus.
É necessário ter um encontro pessoal e verdadeiro com Cristo, no qual o Espírito Santo sela o indivíduo. Esse selo é evidenciado por transformações reais e perceptíveis em sua vida.
Se essas marcas não estão presentes, é porque ainda não houve uma verdadeira regeneração. O novo nascimento não é apenas conhecimento intelectual, mas uma transformação interior e espiritual que só ocorre pela ação do Espírito Santo.
No próximo capítulo, vamos abordar o coração do Evangelho: Por que Jesus teve que morrer? Entenderemos:
- A necessidade da morte de Cristo.
- O que essa morte revela sobre o caráter de Deus.
- Como ela possibilitou o novo nascimento para nós.
O que exploramos até aqui foi o contexto que aponta para o Evangelho – os eventos que criaram a necessidade da morte de Cristo. No próximo capítulo, aprofundaremos a importância dessa morte, antes de seguirmos para a discussão sobre o novo nascimento. Fique atento, pois compreender o sacrifício de Cristo é fundamental para viver plenamente o plano de Deus!
Este livro é um convite à reflexão sobre o que significa ser um cristão genuíno em meio às distrações do mundo. Com base nas Escrituras, o autor apresenta uma jornada prática e espiritual que destaca valores como humildade, dedicação e fidelidade à Palavra. Ele aborda temas centrais da vida cristã — o novo nascimento, a mordomia, os perigos da dureza de coração — e utiliza parábolas e ensinamentos bíblicos para guiar o leitor pelo caminho estreito que conduz à vida eterna.
Escrito com paixão e clareza, a obra se coloca como um guia essencial para quem deseja amadurecer na fé, descobrir seu propósito no corpo de Cristo e viver de modo que glorifique a Deus em todas as áreas da vida. É um chamado ao autoexame e à transformação, conduzindo o leitor rumo ao verdadeiro Santuário.