Capítulo 1 – Porque Jornada ao Santuário?

Introdução

Seja muito bem-vindo arauto(a) do Senhor Jesus. Obrigado por adquirir esse ebook que é baseado numa série de mentorias que realizei conhecida como Jornada ao Santuário. Como existem pessoas que preferem ler ao invés de assistir, decidi transformar nossos estudos bíblicos realizados online num e-book de mesmo nome.

Caso você não tenha assistido a série, deve estar se perguntando: Por que Jornada ao Santuário? Pare um pouco e tente responder essa pergunta antes de continuar a leitura. Vamos ver se você terá o mesmo insight que tive a respeito disso.

Por que Jornada ao Santuário? Isso poderia ser ilustrado como o Caminho de um Peregrino ao seu lugar de Repouso. Discorreremos a respeito disso. Apesar de que poucas pessoas estejam conscientes, todos estamos de passagem nessa vida. Independente da sua crença, se acredita ou não, isso é uma realidade. Ninguém veio para ficar. Estamos aqui de passagem, nossa vida é transitória e há dois destinos possíveis no final dela.

Portanto somos peregrinos nessa terra. Estamos peregrinando. Não vamos ficar aqui. Não somos daqui. Estamos apenas passando por aqui. Estamos num tipo de viagem, de peregrinação. E o que você faz durante essa peregrinação é muito importante. As escolhas que você faz durante esse período vão repercutir no seu destino eterno. E poucas pessoas entendem que estão dentro desse processo de peregrinação. Muitas pessoas (a maior parte delas) estão inconscientemente vivendo fora dessa realidade sem ter noção nenhuma de que essa peregrinação esteja ocorrendo e as conduzindo em direção a dois possíveis destinos, um com Deus e outro sem Deus.

E elas vivem a vida como se nada existisse no porvir, contudo o que existe realmente está na eternidade. O que está nessa existência que vivemos é passageiro.

E a maior parte das pessoas, não compreendem isso, não têm consciência plena disso. Podem até pensar a respeito, mas não levam a sério esse contexto. Portanto elas são peregrinas na Terra andando em caminhos traçados por si mesmas.

No entanto Deus deixou um caminho traçado, deixou uma trajetória, já predeterminada para irmos de encontro a Ele, para que possamos chegar ao Santuário.

E poucas são as pessoas que descobrem este caminho e o trilham. O nosso destino já está determinado, pois Deus sabe o fim desde o princípio. Não tem como mudar, pois Deus já o viu. Deus sabe quem vai chegar ao Santuário. Ele sabe quem são aqueles que vão passar a eternidade com Ele, porque Ele, sendo Deus, já viu tudo. Devido a sua onisciência, Ele viu o fim desde o princípio. Nada está oculto diante dEle.

Portanto, para Ele não há surpresas, já para nós que estamos vivendo um dia de cada vez há. Ele sabe quem vai tomar uma posição por Ele e quem não. Ele sabe quem vai trilhar aquilo que os alertas, as placas, as direções advertem. Ele sabe quem vai alcançar o Santuário.

Apesar do futuro já estar determinado, paradoxalmente, este destino “está em nossas mãos”. Independente da linha teológica que você siga, arminiana ou calvinista. Ambas as correntes teológicas concordam que o homem, no dia do juízo, vai ser o único responsável por sua própria perdição.

Ninguém vai jogar na cara de Deus que Ele foi injusto, pois Deus é justiça, santidade e perfeição. Deus não comete erros. Então, se você não alcançou, se você não o encontrou, se você não chegou ao Santuário, a culpa não será de Deus. Tanto calvinistas que creem na predestinação de que Deus já separou desde a eternidade quem deveria ser salvo, quanto arminianos que creem que está sobre o homem a responsabilidade de aceitar o plano da salvação. Ambos acreditam que o homem é o responsável.

Então, naquele grande dia, no dia do juízo, quando o Trono Branco for revelado, descortinado e todos nós estivermos diante de Deus, ressuscitados. Ele separará ali os justificados em Cristo, daqueles que não estão justificados, ninguém vai culpar a Deus por não ter sido salvo. Todos vão reconhecer que justos são os juízos de Deus.

E quem não chegou ao Santuário, não será salvo. A responsabilidade e a culpa não residirão em Deus, mas na própria pessoa em ter negado o maior presente que o ser humano pode ter, que é receber Cristo Jesus em sua vida.

Por esse motivo eu criei a Jornada ao Santuário justamente porque todos os seres humanos que estão andando aqui na Terra estão nessa jornada, consciente disso ou não. E o nosso dever como cristão conscientes, é alertar os inconscientes dessa jornada. E o propósito desse projeto é justamente ajudar essas pessoas a serem despertas para essa realidade e aqueles que estão despertos a se examinarem para ver se realmente estão caminhando de acordo com os sinais, os alertas, os mandamentos, as diretrizes que Deus deixou para trilhar neste caminho. Porque o caminho está aí e a nossa vida é como se fosse um labirinto. Quantos caminhos existem num labirinto para sair dele? Somente um.

A nossa vida neste mundo é como se existissem vários caminhos num labirinto, mas dentro deste labirinto existe apenas um único caminho traçado com marcas de sangue, que você deve seguir. A cada curva que você faz, existem dois, três, quatro, cinco caminhos diferentes e você consegue identificar, se prestar atenção, algumas marcas de sangue percorrendo um único caminho. Elas proveem de Cristo, estão lá para o conduzirem para fora deste labirinto, a fim de que alcancem a vida eterna.

O que acontece é que as pessoas geralmente são míopes, não enxergam, não percebem as marcas. Se alguém as aponta, a pessoa não acredita que estejam lá, não confia que realmente seja realidade e não caminha pela fé as seguindo.

Ela quer traçar o seu próprio caminho: eu acho que é pela esquerda ou eu acho que é pela direita; não vou fazer aqui, não vou por ali ou vou por aqui, então nesses caminhos que ela vai traçando dentro deste labirinto, de vez em quando ela passa pelo caminho que tem algumas marcas e ao invés de seguir esse caminho, ela continua ainda fazendo do jeito dela.

Por mais que alguém fale: vamos por aqui, vamos seguir as marcas, pois isso é um indício de que alguma pessoa passou por aqui, deixou o rastro para que a gente pudesse segui-lo para a saída, para sermos salvos. As pessoas simplesmente não acreditam e não seguem.

Portanto todos estamos dentro deste contexto, todos somos peregrinos nessa terra. Salvos ou não, todos somos peregrinos. Está escrito em 1 Crônicas 29:15:

15Somos estrangeiros e peregrinos na terra, como nossos antepassados antes de nós, nossos dias na terra são como uma sombra, passam rápido sem deixar vestígio.

Aqui em 1 Crônicas, o escritor inspirado fala e ratifica que somos peregrinos, estamos de passagem nessa terra. Nossos dias são como uma sombra, passa voando. O que seriam os nossos dias diante da eternidade? Simplesmente nada. Diante de um oceano, é como se fossem uma gota d’água. Deus nos ordena a renunciar essa gotinha, porque ele tem todo um oceano de vida eterna para nos conceder. E muitos se agarram a essa gotinha e falam: “eu não abro mão, pois quero viver essa gotinha do meu jeito”. Consequentemente, perderão a vida eterna, como Jesus falou em Mateus 16:25:

25Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.

Esta é a essência da vida cristã. No novo testamento, encontramos Pedro falando disso em 1 Pedro 2:11:

11Amados, eu os advirto, como peregrinos e estrangeiros que são, a manter distância dos desejos carnais que lutam contra a nossa alma.

Pedro está fazendo uma advertência aos cristãos, mas também serve de alerta para todo aquele que ainda não o é, a fim de que se torne cristão e mantenha distância dos desejos carnais que lutam contra a alma.

Tanto o escritor do antigo testamento quanto o do novo falaram a mesma coisa. Somos estrangeiros e peregrinos. Eles concordam um com o outro, pois o mesmo Espírito os inspirou, o Espírito Santo. Apesar dos séculos que separam esses escritores, a linha de raciocínio é a mesma: somos peregrinos e estrangeiros. Estamos aqui de passagem. E se não pertencemos a este mundo, mas sim a outro, como é que deveríamos viver? O escritor aos hebreus também escreve:

14Pois não temos neste mundo uma cidade permanente, mas buscamos a futura. Hebreus 13:14

O autor de Hebreus dirige-se aqui aos cristãos salvos e não ao mundo perdido. Todos estão aqui de passagem, mas os cristãos estão reservados, pois foram separados por Deus, a fim de pertencerem à Sua família e viverem com Ele toda eternidade. Por isso eles não tem pátria alguma neste mundo e realmente são como peregrinos. Eles não pertencem ao mundo que jaz no maligno, mas aguardam a santa Cidade, a nova Jerusalém que de Deus descerá do céu (Apocalipse 21:2).

Portanto nós cristãos não temos aqui uma cidade permanente. Sabendo disso, novamente pergunto: como deveríamos viver? Deveríamos viver de forma a agradar a Deus e, para isso, Ele nos deixou diretrizes (na Bíblia) apontando o caminho em que nós devemos andar. Já que somos peregrinos, não devemos nos envolver em coisas que desagradam a Deus e atrapalham a nossa jornada. Em vez disso, caminhemos sempre obedientes aos alertas durante todo este percurso, a fim de que não venhamos nos desviar nem para a esquerda, nem para a direita, pois aguardamos a cidade futura. E de onde virá essa cidade? Do céu. Está escrito:

10E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. Apocalipse 21:10

Portanto amado a nossa cidade vem e ainda está no céu. Percebeu que usei versículos tanto do antigo testamento quanto do novo? Todas essas passagens, apesar de terem sido escritas por pessoas diferentes, em tempos diferentes, acabam corroborando, concordando entre si, ou seja, apenas aqueles que serão salvos, é que realmente entrarão na Nova Jerusalém, na cidade santa que do céu irá descer.

Percebeu que a Bíblia é um livro sobrenatural? Não é feita de mitos, nem contos de fadas. Pense um pouco. Por que há essa concordância entre tantas pessoas diferentes vivendo em épocas diferentes? Porque na realidade o escritor da Bíblia não foi o homem, mas sim o próprio Deus. Os homens foram “as canetas” de Deus. Ele os estava inspirando e usando. Cada um com sua capacidade, limitação ou particularidade. Por isso encontramos nuances nos escritos. Isaías por ser um nobre escrevia de forma mais rebuscada. Já Paulo por seu um estudioso escrevia com profundidade. E Pedro por ser um pescador, com simplicidade. Encontramos estilos literários diferentes na Bíblia, pois Deus usou pessoas diferentes para escrevê-la e respeitou a individualidade de cada uma. Mas numa perspectiva panorâmica, a mensagem é coerente, coesa e única, porque o autor verdadeiro da Bíblia é o próprio Deus. Está escrito:

20 Acima de tudo, saibam que nenhuma profecia nas Escrituras surgiu do entendimento do próprio profeta,

21 nem de iniciativa humana. Esses homens foram impulsionados pelo Espírito Santo e falaram da parte de Deus. 2 Pedro 1:20-21

A Bíblia foi inspirada por um único autor – o Espírito Santo. Desde agora, quero que perceba que não há discordâncias dentro dela. Por que estou frisando isso? Pois o intuito desse livro é evangelizar pessoas que estão querendo aprender sobre o Deus da Bíblia. Ele as ajudará a perceber que tanto a Palavra de Deus, quanto o próprio Deus são reais e dignos de confiança. No entanto é necessário confiar na veracidade das Sagradas Escrituras, a fim de que compreendam melhor quem é o Deus revelado nela. Nos próximos capítulos, tratarei da Palavra de Deus, a fim de que tenham as informações necessárias para acreditarem e confiarem nela.

Em resumo todo ser humano está numa jornada. O cristão já tem um destino certo na presença de Deus e deve colocar sua mente nas coisas que são do alto, pois não pertence a este mundo, apesar de viver nele. Já o não convertido precisa se render a Cristo, a fim de participar desse destino. O foco deveria estar na eternidade, na cidadania celestial. Enquanto estivermos aqui, deveríamos ser embaixadores de Deus a representar o reino que há de vir.

Como um embaixador, estou representando a verdade a fim de conduzir as pessoas que ainda se encontram na ignorância a ter um encontro com Deus e começar a sua jornada.

A Jornada ao Santuário está aberta a qualquer um que se deixar conduzir pelo Espírito santo, mas o que seria o Santuário?

No antigo testamento, encontramos o Santuário terrestre de Israel, erguido por Moisés conforme a ordem de Deus, uma tenda móvel usada durante o período no deserto. Ele consistia em três áreas principais: o Pátio, o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo.

  • Pátio: Era cercado por um muro de cortinas e abrigava o Altar de Sacrifícios e a Pia de bronze, onde os sacerdotes faziam ofertas e se purificavam.
  • Lugar Santo: Dentro da tenda, continha o Candelabro de ouro, a Mesa dos Pães da Proposição e o Altar de Incenso. Era acessado diariamente pelos sacerdotes.
  • Lugar Santíssimo: A área mais sagrada, separada por um véu, onde estava a Arca da Aliança com os Dez Mandamentos, a vara de Arão e um pote de maná. Somente o sumo sacerdote entrava uma vez por ano, no Dia da Expiação, para fazer intercessão pelo povo.

O Santuário simbolizava a presença de Deus entre os israelitas e o processo de expiação e reconciliação com Ele. No novo testamento, ele passou a ter um significado espiritual, pois, em Cristo, nossos pecados são expiados e somos reconciliados com Deus.

Em Jesus, temos hoje o nosso Santuário. E por que existe esse Santuário? Ele está presente porque, enquanto a promessa de Deus não se concretiza — enquanto Ele ainda não vem para julgar, punir e levar Sua igreja, para o juízo final e o estabelecimento dos novos céus e da nova terra — Deus providencia um lugar onde podemos descansar e nos sentir seguros. Esse lugar está em Jesus Cristo. Podemos perceber essa provisão divina, enquanto Deus cumpre Seus juízos ao longo da história e isso é revelado claramente nas Escrituras.

Por exemplo, durante o dilúvio, Deus anunciou a destruição da humanidade e revelou a Noé que aqueles que acreditassem em sua mensagem e buscassem proteção seriam salvos. No entanto, apenas a família de Noé foi realmente preservada. Onde estava o Santuário, o local de proteção e descanso, enquanto Deus executava Seu juízo naquela época? O Santuário de Noé e de sua família foi a arca. Ela foi o lugar de refúgio, onde eles ficaram protegidos enquanto Deus derramava Seus juízos sobre a terra. O lugar de descanso de Noé e sua família foi dentro da arca.

Outro exemplo claro ocorreu durante as pragas no Egito, Deus começou a derramar Seu juízo sobre os egípcios, enviando calamidades como pestilências, granizo, e a morte de animais. No entanto, o povo de Israel, que vivia em Gozen, permaneceu protegido, pois poucas pragas atingiam aquela região. O episódio mais simbólico desse período foi a última praga, a morte dos primogênitos. Deus instruiu os israelitas a sacrificarem um cordeiro, cujo sangue deveria ser passado nos umbrais das portas de suas casas. Esse sangue simbolizava o sacrifício de Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

Naquela noite, os israelitas deviam permanecer dentro de suas casas, comendo pães sem fermento (representando a pureza) e o cordeiro sacrificado, sem sair até o amanhecer. As casas protegidas pelo sangue do cordeiro se tornaram, naquele momento, o símbolo do Santuário. O anjo da morte passou por todo o Egito, mas, ao ver o sangue nas portas das casas israelitas, “pulava” essas residências, poupando os primogênitos de Israel, enquanto os primogênitos egípcios, inclusive o de Faraó, morreram. Assim, as casas cobertas pelo sangue foram um Santuário de proteção para o povo de Deus naquele juízo divino.

O autor de Hebreus nos lembra que ainda há um descanso definitivo reservado para o povo de Deus. Ele afirma que, assim como Deus descansou após a criação, aqueles que entram no descanso de Deus também cessam de seus próprios trabalhos. Isso não significa que Deus ou nós deixamos de trabalhar completamente, mas sim que, uma vez salvos, deixamos de depender de nossos esforços para alcançar a salvação.

Quando alguém encontra Cristo e nasce de novo, há um descanso em saber que a salvação não foi conquistada por obras, mas é um presente imerecido, fruto das obras de Cristo. Esse descanso é confiar plenamente em Deus, sabendo que nada que façamos pode nos fazer perder ou ganhar a salvação, pois ela já foi garantida em Jesus. Embora ainda trabalhemos, esse esforço não é mais para “merecer” a salvação, mas sim fruto de uma vida transformada.

Deus, por Sua vez, também não parou de trabalhar após a criação. Ele continua sustentando o mundo, abençoando, corrigindo e exercendo Seu governo. Jesus mesmo afirmou: “Meu Pai trabalha até agora”, ao responder aos religiosos que o criticavam por realizar obras no sábado. Deus segue ativo, e nós também seguimos trabalhando, mas agora com a certeza de que o descanso da salvação já foi alcançado em Cristo.

Portanto, devemos nos esforçar para entrar nesse descanso. É essencial que façamos esse esforço. Muitas pessoas não buscam ativamente o descanso de Deus, e isso nos lembra da responsabilidade humana. Tanto os calvinistas quanto os arminianos reconhecem que o homem é responsável por suas escolhas.

No entanto, isso não significa que precisamos merecer esse descanso; na verdade, não podemos merecê-lo. Deus, em Sua graça, nos oferece diretrizes e sinais que nos orientam nesse caminho. Cabe a nós seguir essas indicações e nos render a Ele. Esse processo não é completamente realizado por Deus; Ele nos toca, nos capacita, mas é nossa responsabilidade tomar uma posição em resposta à revelação que recebemos. À medida que Deus nos confronta, Ele nos oferece oportunidades de arrependimento, mas a decisão final é nossa. Essa dinâmica da responsabilidade humana é uma parte fundamental da nossa caminhada com Deus. Está escrito em Hebreus 4:6-11:

6 Portanto, o descanso está disponível para que alguns entrem nele, mas os primeiros que ouviram essas boas-novas não entraram por causa de sua desobediência.

7 Por isso Deus estabeleceu outra ocasião para que entrem em seu descanso, e essa ocasião é “hoje”. Ele anunciou isso por meio de Davi muito tempo depois, nas palavras já citadas: “Hoje, se ouvirem sua voz, não endureçam o coração”.

8 Se Josué lhes tivesse dado descanso, Deus não teria falado de outro dia de descanso por vir.

9 Logo, ainda há um descanso definitivo à espera do povo de Deus.

10 Porque todos que entraram no descanso de Deus descansam de seu trabalho, como Deus o fez após a criação do mundo.

11 Portanto, esforcemo-nos para entrar nesse descanso. Mas, se desobedecermos, como no exemplo citado, cairemos.

Quando Ele nos exorta a nos esforçarmos, devemos também lembrar de não endurecer nosso coração. Se hoje ouvimos a voz do Espírito Santo, é crucial que busquemos abrir espaço para que Deus complete a boa obra em nossas vidas, permitindo que realmente encontremos descanso dentro do Santuário. Porém, se desobedecermos, como o exemplo que foi citado, corremos o risco de cair.

O contexto aqui remete à incredulidade que predominou enquanto Israel estava no deserto. O povo precisava atravessar o Jordão e conquistar a Terra, executando o juízo que Deus determinou, utilizando Israel para eliminar as nações estrangeiras que adoravam deuses demoníacos. Deus queria que essas entidades, que não eram verdadeiros deuses, fossem extirpadas da terra para estabelecer o reinado de Israel com suas doze tribos.

No entanto, o povo se deixou dominar pela incredulidade. Quando os espias entraram na Terra, viram gigantes e cidades fortificadas, e passaram a duvidar da capacidade de Deus de entregar a Terra prometida. Essa incredulidade se espalhou entre o povo, que ouviu os relatos dos espias sobre os grandes guerreiros que habitavam a região. Quase toda a nação não acreditou que Deus pudesse conceder a terra prometida.

Como resultado, toda aquela geração morreu no deserto. Apenas dois homens, junto com suas famílias, e uma nova geração, após 40 anos, conseguiram atravessar o Jordão. Você sabe quem são esses homens? Quem são aqueles que, mesmo diante de gigantes, cidades fortificadas e guerreiros poderosos, não duvidaram da palavra de Deus? Esses homens que acreditaram que Deus poderia entregar todas as nações em suas mãos e que eram capazes de vencer foram Josué e Calebe. Eles foram os únicos daquela geração a cruzar para a Terra Prometida.

Quando a passagem menciona que, se desobedecermos como no exemplo citado, cairemos, isso se refere ao destino do povo que morreu no deserto devido à sua incredulidade. Deus nos está alertando: quando Ele nos diz para crer, acreditar e nos submeter, é essencial que o façamos. Se não o fizermos, ficaremos para trás, e não entraremos no repouso de Deus.

Então, onde encontramos esse repouso? Na dispensação em que vivemos hoje, onde podemos encontrar descanso? O Santuário é o nosso lugar de repouso. Vamos explorar onde encontramos esse descanso. Jesus disse:

28 “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.

29 Tomem sobre vocês o meu jugo. Deixem que eu lhes ensine, pois sou manso e humilde de coração, e encontrarão descanso para a alma. Mateus 11: 28-29

O nosso lugar de descanso hoje está em Jesus. Quando temos um encontro pessoal com Cristo, somos preenchidos por uma paz que excede todo entendimento. Essa paz vem da presença do Espírito Santo em nós, pois, antes, estávamos apartados de Deus.

A partir do momento em que estabelecemos comunhão com Deus por meio de Cristo e somos selados pelo Espírito Santo, o que se havia perdido é restaurado, e voltamos a experimentar a mesma comunhão que existia no Jardim do Éden. Nesse momento, a paz é restaurada, e encontramos descanso.

Qualquer um que passa por essa experiência de encontro com Cristo vive uma vida mais tranquila. Embora ainda enfrentemos situações difíceis no dia a dia, após essa conexão com Deus, ao nascermos de novo e sermos selados pelo Espírito Santo, nossa vida se transforma. Não nos desesperamos mais como as pessoas comuns fazem, pois a nossa vida é preenchida com um equilíbrio maior, resultante da nossa confiança e dependência em Deus, da nossa intimidade e comunhão com Ele.

Portanto, é em Cristo que encontramos esse descanso e repouso. Amém?

Então qual é o propósito dessa jornada? Quando falo em “jornada ao santuário”, estou conduzindo vocês a quem? A resposta é a Cristo.

Essa jornada é, na verdade, um processo de evangelização que vou conduzir ao longo desse livro. Meu objetivo é facilitar a compreensão para aqueles que ainda não sabem como ter um encontro verdadeiro e pessoal com Cristo Jesus. Compartilharei minha própria experiência de libertação do ateísmo e apresentarei um passo a passo, para que todos tenham a oportunidade de entender e seguir o caminho certo.

Vocês não terão a desculpa de não saber como, pois ensinarei gradualmente, um passo de cada vez, apontando e mostrando o caminho a seguir. O trajeto vocês é que vão percorrer. Eu já passei por essa jornada e já estou dentro do santuário.

Durante esse processo, muitos que se consideram cristãos terão a oportunidade de se examinar. Vamos refletir sobre a vida que temos com Deus e com Cristo, e isso permitirá que cada um descubra se realmente é cristão ou não. Para aqueles que perceberem que não são, será uma chance de se arrepender genuinamente e se render completamente ao Senhorio de Cristo.

Preste muita atenção nos próximos capítulos, pois eles serão cruciais para você se examinar e avaliar se realmente teve um encontro pessoal com Cristo. Se você ainda não teve esse encontro, durante nosso tempo juntos, compartilharei dicas e orientações baseadas na minha própria experiência. Deus se revelou a mim, me chamou, me selou, me salvou e me regenerou. Esse processo levou algum tempo; não foi algo instantâneo. Eu precisei seguir passos que, antes, eu nunca havia considerado.

Deus me colocou em um deserto, onde tive tempo para refletir, e mesmo lá, levei semanas até que algo significativo acontecesse. Portanto, o propósito dessa jornada é servir como um facilitador no seu encontro com Deus. Eu não realizo esse trabalho; é o próprio Espírito Santo que convence e salva. Minha função é ser um instrumento nas mãos de Deus, ajudando você a encontrar o caminho.

Em química, aprendemos que certas reações exigem uma quantidade específica de energia para ocorrer. Sem essa energia, os componentes não se juntam para formar um produto. No entanto, existe algo chamado enzima, que atua como um facilitador da reação química. Por exemplo, se são necessárias 100 mil quilocalorias para a reação, a presença da enzima reduz essa necessidade a apenas 10 mil. A enzima facilita o processo.

Assim como a enzima, meu papel neste projeto é facilitar a sua jornada. Sem a orientação adequada, você levaria muito tempo para estudar a Bíblia e buscar um encontro com Deus. Mas, ao percorrer esse livro, você terá acesso à essência da mensagem da Palavra de Deus e à oportunidade de se examinar. Esse projeto será como uma enzima que acelera sua compreensão e sua entrega a Cristo, permitindo que você se renda mais rapidamente do que faria sozinho, sem apoio.

Aproveite essa oportunidade, pois estamos vivendo um tempo em que a verdadeira pregação do evangelho está em falta, com muitas igrejas se afastando da mensagem genuína. Aqui, vamos ensinar o evangelho verdadeiro, e você receberá alimento espiritual que, embora possa parecer básico, será nutritivo e fortalecedor para sua alma.

Durante nossa jornada, compartilharei ferramentas e informações que permitirão que você se examine à luz da Palavra de Deus. Mas lembre-se: não sou eu quem faz isso. É Deus, por meio da ação do Espírito Santo, que transforma vidas.

Estamos caminhando para um momento em que o juízo de Deus se aproxima. Assim como Noé encontrou proteção na arca e os israelitas em Gósen foram resguardados durante as pragas no Egito, hoje a proteção está em Cristo. Você já entrou nesse santuário? Se não, ainda há tempo. Para isso, é necessário que você siga essa jornada ao santuário, e estarei aqui para ajudá-lo. Amém?

Este livro é um convite à reflexão sobre o que significa ser um cristão genuíno em meio às distrações do mundo. Com base nas Escrituras, o autor apresenta uma jornada prática e espiritual que destaca valores como humildade, dedicação e fidelidade à Palavra. Ele aborda temas centrais da vida cristã — o novo nascimento, a mordomia, os perigos da dureza de coração — e utiliza parábolas e ensinamentos bíblicos para guiar o leitor pelo caminho estreito que conduz à vida eterna.
Escrito com paixão e clareza, a obra se coloca como um guia essencial para quem deseja amadurecer na fé, descobrir seu propósito no corpo de Cristo e viver de modo que glorifique a Deus em todas as áreas da vida. É um chamado ao autoexame e à transformação, conduzindo o leitor rumo ao verdadeiro Santuário.

Jamerson Silva Araújo é escritor, teólogo por vocação e discípulo de Cristo por convicção. Após anos de ceticismo, encontrou a fé ao estudar as Escrituras com o desejo de refutá-las — e acabou transformado por elas. É autor do livro Jornada ao Santuário e criador de conteúdos voltados à edificação da fé cristã com base no princípio do Sola Scriptura. Atualmente, dedica-se a projetos como "Até a Última Página", onde divide com os leitores a oportunidade de opinar e participar de seus futuros livros.

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