Livro Jornada ao Santuário
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Arauto de Deus
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Capítulo 4 – A Palavra de Deus (A Bíblia – Estrutura)
Neste capítulo, refletiremos sobre a Palavra de Deus em sua terceira dimensão: a forma escrita.
Ao longo dessa Jornada, temos buscado responder à pergunta essencial: o que é a Palavra de Deus? Nessa busca, compreendemos que há três maneiras bíblicas de definir a Palavra de Deus no contexto da fé que professamos.
Primeiro, vimos que a Palavra de Deus, em sua essência, não é um objeto ou conceito abstrato, mas sim uma pessoa: Jesus Cristo, a manifestação viva da Palavra. Em seguida, abordamos a Palavra como comunicação verbal, na qual Deus se revela por meio de Sua voz.
Agora, vamos explorar a Palavra de Deus registrada como Escritura. No Antigo e Novo Testamento, Deus usou pessoas para transmitir Seu conhecimento, leis, princípios e promessas. Essas revelações foram registradas e preservadas, e hoje as encontramos na Bíblia.
Embora eu não tenha abordado a Bíblia como tema central até agora, ela tem sido o fundamento de todos os capítulos. Todos os versículos e passagens usados vieram dela, e não de livros de filósofos ou mestres humanos. A Bíblia é a fonte essencial que sustenta tudo o que estamos aprendendo.
Esse tópico sobre o “Alicerce Eterno” merece nossa atenção especial porque, se você passar por ele sem compreender o valor das Escrituras Sagradas, será difícil prosseguir nesta jornada até o santuário. Para avançarmos firmes, é essencial reconhecer a Bíblia como a Palavra revelada de Deus, confiável, infalível e verdadeira para nossa vida. Somente assim essa jornada fará sentido e alcançará seu propósito final.
É um desafio, pois é pela fé que nos conectamos à Palavra, e a fé vem pelo ouvir o ensino da Palavra. Se, ao final desse tópico, você ainda não ver a Bíblia como a Palavra de Deus, a jornada espiritual se torna difícil de prosseguir.
Gaste tempo com as Escrituras: leia, releia, e mesmo que sua fé ainda não esteja firmada na Bíblia, use esse tópico para buscar a Deus sinceramente.
Eu falo isso porque já fui ateu. No deserto, passei acreditar em Deus, em Jesus, no Espírito Santo e na Trindade, mas não acreditava na Bíblia. E aceitá-la como a Palavra de Deus foi um processo que levou tempo — foram três meses, em média. Não aconteceu da noite para o dia; levei muito tempo para aceitar algo que rejeitei durante anos.
Foi uma luta entre carne e espírito. Deus enviava livros, recursos, e eu lia, examinava, comparava. Durante esse tempo, surgiu uma luta interna: reconhecer a Bíblia como verdadeira significaria enfrentar uma realidade dura — perceber que eu tinha passado boa parte da minha vida longe da vontade de Deus e que mudanças eram inevitáveis.
Esse é o obstáculo para muitos que ainda não são cristãos. Muitos acham que sua forma de viver já é boa o suficiente e que Deus os aceitará, de alguma maneira, como são, sem a necessidade de arrependimento. Mas, ao ler a Bíblia, somos confrontados com a verdade sobre nossos pecados e nossa distância de Deus. A Palavra revela quem somos e como Ele nos vê. Nesse confronto, restam duas escolhas: render-se a Deus ou rejeitar a verdade.
Se você lê a Bíblia, duas coisas podem acontecer: ou você se converte, ou assume que não quer a salvação. Deus nos assegura que, no dia do julgamento, Suas ações serão justificadas, e Sua bondade será clara para todos. E então, diremos que justos são os Seus juízos, pois entenderemos que Ele foi justo e bom o tempo todo.
Por isso fique atento a forma escrita da Palavra de Deus, pois tudo o que foi manifestado em Cristo, ensinado oralmente por Deus e seus profetas foi registrado para dar origem ao que chamamos de Bíblia. Este livro é a Palavra de Deus que temos em mãos hoje, podendo ler, estudar e meditar a respeito. Não estávamos presentes quando Deus criou todas as coisas nem vivíamos nos tempos do Antigo Testamento para ver Deus falando diretamente aos profetas, mas Ele deixou Sua vontade registrada para que pudéssemos conhecê-la e aprender a segui-la.
Deus preservou esses escritos, que formam a Bíblia, apesar de muitas tentativas de destruição ao longo da história. Este é o livro mais preservado e amplamente manuscrito da Antiguidade, com textos em várias línguas e regiões do mundo. Mesmo se a Bíblia, como conhecemos, fosse destruída, os manuscritos fragmentados permitiriam reconstituí-la quase completamente.
Nosso objetivo agora é apresentar a Escritura e seus tipos de escrita:
Escrita de Deus
A Bíblia apresenta momentos em que o próprio Deus escreve com Suas mãos. Um exemplo está em Êxodo, quando Deus escreve os Dez Mandamentos em tábuas de pedra e os entrega a Moisés. Em Êxodo 31:18, lemos:
“E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.”
Escrita de Jesus
Outro momento em que vemos Deus escrevendo ocorre no Novo Testamento. Em João 8:1-11, há o relato da mulher adúltera trazida pelos fariseus a Jesus. Nesse momento, Jesus escreve algo na areia. No entanto, essa passagem levanta questões importantes: nenhum manuscrito anterior ao século V contém essa história, e os primeiros pais da Igreja não mencionam esses versículos.
Hoje, a maioria dos estudiosos e críticos textuais entende que, embora a passagem tenha características coerentes com o comportamento de Cristo — o perdão e a misericórdia que Ele manifesta —, não se pode confirmar com certeza que ela faça parte dos escritos originais de João. A passagem aparece em manuscritos antigos com marcações de dúvida e até em diferentes livros, como Lucas, o que sugere que pode ter circulado oralmente antes de ser adicionada ao texto.
Para se ter ideia, só com as citações dos primeiros pais da Igreja, dos séculos II a IV, seria possível reescrever grande parte do Novo Testamento. Esse fato ressalta a confiabilidade dos textos bíblicos e como eles foram preservados com rigor ao longo dos séculos.
Por isso, ao estudar a Palavra de Deus, é fundamental examinar e entender a origem e autenticidade dos textos para que possamos nos aprofundar na vontade de Deus com confiança.
Escritos por Intermédio dos Homens
A Bíblia existe hoje porque seres humanos, chamados e inspirados por Deus, registraram Suas profecias, ensinamentos e orientações. Embora os textos tenham sido escritos pelas mãos dos homens, o verdadeiro Autor é Deus. Ele usou homens separados e santos para comunicar as informações essenciais para nossa orientação, salvação e santificação.
Esses conteúdos foram reunidos, formando o que chamamos hoje de Bíblia. Para facilitar ainda mais o entendimento sobre o tema, apresentarei algumas perguntas e respostas.
1) De onde vem o termo “Bíblia”?
O nome “Bíblia” não aparece nas Escrituras. Ele vem do grego e significa “livros” ou “coleção de livros” (o plural de bíblos). Os gregos usavam esse termo para se referir aos rolos de papel nos quais escreviam suas obras, em homenagem à cidade de Biblos (ou Gebal), um centro de produção de papiros na costa do Mediterrâneo, hoje território do Líbano.
No Ocidente, foi São Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latim na versão conhecida como Vulgata, quem popularizou a expressão ao se referir às Escrituras como a “biblioteca divina”. Essa terminologia ajudou a consolidar o conceito da Bíblia como uma coleção sagrada de livros escritos sob inspiração divina.
2) Quem é o Autor da Bíblia?
Como já mencionado, Deus é o verdadeiro autor da Bíblia. Embora algumas pessoas afirmem que “a Bíblia foi escrita por homens” ou digam que “o papel aceita tudo,” é importante entender que ela não é um livro qualquer. Esse tipo de argumento é usado muitas vezes por ateus e céticos para desacreditar seu conteúdo, mas vamos aprofundar o porquê de a Escritura ser singular.
Diferentemente de qualquer outro livro, a Bíblia não foi escrita por uma única pessoa que elaborou uma narrativa completa. Ela foi redigida por diversos autores ao longo de muitos séculos, em épocas, contextos culturais, classes sociais e graus de escolaridade distintos. Apesar dessas diferenças, todos os livros que compõem a Bíblia têm uma coesão notável, seguindo uma linha de raciocínio contínua e harmônica, sem contradições. Esse fator aponta para uma única fonte de inspiração e um único Autor supremo por trás de tudo: Deus.
Deus inspirou seres humanos, que se tornaram instrumentos nas Suas mãos, como lápis usados para registrar Suas palavras no papel. Eles escreveram sob a orientação e supervisão do Espírito Santo, conforme o que está registrado em 2 Timóteo 3:16-17:
“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra.”
Deus preservou essas palavras para que a Bíblia fosse um guia eterno, revelando Sua boa, agradável e perfeita vontade para nossas vidas.
Como está sua vida de leitura da Bíblia? Você tem lido e refletido sobre ela? Quando a lemos, meditamos, refletimos, ela nos ensina através dos exemplos, inclusive pelos erros cometidos pelos servos de Deus. A Bíblia não esconde as falhas de homens e mulheres que foram separados por Deus para representá-Lo — vemos suas mentiras, enganos e atitudes erradas.
Isso nos lembra que, por mais admirável que alguém pareça ser diante de Deus e dos outros, todos somos falhos e pecadores. A Palavra de Deus nos mostra essas imperfeições para nos ensinar, fortalecer nossa fé e nos guiar em nosso próprio caminho.
Paulo escreve a Timóteo, orientando-o a usar a Palavra de Deus para ensinar, corrigir e instruir, para que todos que a ouvirem sejam aperfeiçoados e preparados para servir no Corpo de Cristo.
Em 2 Pedro 1:19-21, lemos:
“19E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações.
20 Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.
21 Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.
Aqui, Pedro se refere aos profetas do Antigo Testamento, e ele nos incentiva a mantermos atenção ao que foi profetizado, pois as Escrituras são como uma luz que brilha em lugar escuro. Assim como o amanhecer gradualmente ilumina a escuridão, ao dedicar tempo à leitura e reflexão da Bíblia, ela nos revela a verdade, iluminando nossa mente e coração até que Cristo, a Estrela da Alva, brilhe em nós.
A fé vem pelo ouvir a Palavra. Se a evitamos, é improvável que a fé floresça. Deus escolheu Sua Palavra como instrumento para despertar e fortalecer nossa fé. Pedro deixa claro que nenhuma profecia das Escrituras é de interpretação pessoal ou veio da vontade humana, mas que homens santos falaram movidos pelo Espírito Santo. Assim, a própria Bíblia confirma que seu Autor é Deus, e ao lermos as Escrituras, ouvimos Deus falar de maneira singular e verdadeira através dos lábios dos profetas e apóstolos.
Embora Deus tenha inspirado diferentes pessoas em contextos variados, a mensagem é una e consistente. Cerca de 40 autores, ao longo de 1600 anos, em épocas, culturas e estilos diferentes, foram movidos pelo Espírito Santo a escrever o que Deus revelava em seus tempos e realidades. Muitos deles nunca se conheceram, mas ainda assim registraram fielmente o que Deus fez e ensinou, formando o “livro dos livros” — uma revelação inspirada que atravessa o tempo para guiar e abençoar cada geração.
3) Como foi formada a Estrutura da Bíblia?
A Bíblia, que possuímos e usamos, está organizada em duas partes principais: o Antigo e o Novo Testamento. O Antigo Testamento foi consagrado através do sangue de animais, enquanto o Novo Testamento foi selado pelo sangue de Jesus Cristo, como mencionado em Hebreus 9:13-24:
“Porque, se o sangue de touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os impuros, os santifica quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! (v13-14)”
Aqui, o autor de Hebreus nos faz um contraste: no Antigo Testamento, Moisés sacrificou animais e aspergiu o sangue para purificar o templo e tudo o que o povo oferecia a Deus. Era um sistema que apontava para algo maior, uma “sombra” que se cumpriria em Cristo. Enquanto no Antigo Testamento o sacrifício era repetido continuamente — com o sumo sacerdote entrando no Santo dos Santos uma vez por ano para oferecer sacrifícios em prol dos pecados de Israel —, no Novo Testamento, Jesus realizou o sacrifício único e perfeito. Esse sacrifício eterno e completo foi o cumprimento definitivo dos rituais que apontavam para Ele.
A passagem de Hebreus destaca que, se o sangue de animais trazia uma purificação temporária, o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica verdadeiramente. Jesus deixou a eternidade, assumiu a forma humana, vivendo como um de nós, mas sem pecado. Ele ofereceu Sua vida imaculada e, por meio do Espírito Santo, se entregou a Deus para que nossas consciências fossem purificadas de obras mortas e libertas dos pecados que enfrentamos no cotidiano — mentira, falta de perdão, desonestidade, inveja, vingança, entre outros.
Assim, em Cristo, temos a aliança perfeita e eterna que nos permite viver em santidade e plenitude com Deus, superando as limitações da antiga aliança.
O sangue de Cristo tem poder para despertar o pecador para a realidade dessas “obras mortas” e perceber o quão distante pode estar de Deus. Este é um convite único ao arrependimento dos pecados, à rendição ao Senhorio de Cristo e ao encontro pessoal com Ele. Ao se arrepender e se render, você é selado pelo Espírito Santo eterno, como nos diz a Escritura, para servir ao Deus vivo e verdadeiro.
“Por isso, ele é mediador de uma nova aliança, intervindo a morte para a remissão das transgressões (v.15a).”
Cristo é o mediador desta nova aliança, pois, como sabemos, o testamento só entra em vigor com a morte do testador. Assim, o sacrifício de Jesus dá poder ao novo testamento — a nova aliança — que Ele fez com Seu povo. A Escritura confirma:
“Onde há testamento, é necessário que ocorra a morte do testador, pois o testamento só tem efeito com a morte; enquanto o testador vive, o testamento é apenas uma promessa (v.16-17).”
Dessa maneira, o novo testamento foi consagrado com o sangue de Cristo, da mesma forma que o antigo foi consagrado com o sangue dos sacrifícios. Isso assegura a promessa da herança eterna para todos os chamados a viver em Cristo.
O Antigo Testamento foi consagrado com o sangue de animais, servindo como uma sombra daquilo que Deus desejava fazer plenamente com Seus filhos. Ele apontava para a realidade completa que o Novo Testamento inaugurou — a perfeita vontade de Deus manifestada em Cristo. Está escrito:
“Porque havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue de bezerros e de bodes, com água, lã púrpura e hissopo, e aspergiu tanto o livro como todo o povo, dizendo: Esse é o sangue do testamento que Deus vos ordenou (v.19-20).”
Moisés usou o sangue dos sacrifícios para aspergir o povo, os utensílios e o livro da Lei, iniciando assim a Antiga Aliança. Também lemos:
“Sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados.” (v.22b)
Essa necessidade de um sacrifício com derramamento de sangue, presente desde o Antigo Testamento, é o motivo pelo qual Jesus teve que morrer de forma cruel. Essa lei simbolizava a necessidade de algo muito maior e mais perfeito, algo que seria alcançado plenamente em Cristo.
O autor de Aos Hebreus explica que “as figuras das coisas que estão no céu (v.23a)” foram purificadas com sangue de animais, mas as realidades celestiais exigiam um sacrifício superior. O templo terreno, com seus rituais e objetos sagrados, era apenas uma representação das realidades espirituais no céu. Tudo ali apontava para Cristo e para o que Ele realizaria. Por isso, o texto afirma:
“Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu (v.24a)”
Ao morrer e ressuscitar, Jesus não entrou em um templo terreno, construído por mãos humanas; Ele entrou no próprio céu, o santuário verdadeiro, onde agora intercede por nós diante de Deus como nosso Sumo Sacerdote.
Em Apocalipse 4 e 5, vemos uma visão do trono de Deus, cercado pelos anjos e pelos anciãos, ilustrando um pouco de como é o verdadeiro templo no céu, do qual o tabernáculo terrestre era uma sombra. Assim, Jesus, ao oferecer o sacrifício perfeito, promulgou o Novo Testamento, entrou no santuário celestial e comparece diante do próprio Deus, intercedendo continuamente por nós como o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
No Antigo Testamento, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos uma vez por ano para oferecer sacrifícios, uma prática que se repetiu continuamente, desde a instrução de Moisés para a construção do tabernáculo até a destruição do templo na época de Tito. Esse ritual anual apontava para a necessidade de um sacrifício perfeito.
Jesus, no entanto, realizou esse sacrifício de forma definitiva. Ele entrou no verdadeiro templo — não no modelo terrestre, mas no santuário celestial, o verdadeiro, erguido pelo próprio Deus no céu. Agora, Jesus intercede por nós diante de Deus, sendo o mediador que nos conecta ao Pai através de Seu sangue.
Com Suas chagas, Jesus se apresenta diante de Deus, declarando: “Eu paguei o preço; Eu morri por eles.” Essa é a razão pela qual podemos nos aproximar com confiança do trono de Deus, pois temos um advogado junto ao Pai, intercedendo constantemente por nós. Podemos clamar por misericórdia, pois Cristo já pagou pelos nossos pecados. Não é pela nossa justiça que somos aceitos, mas pela justiça de Cristo; somos lavados, remidos e purificados no Seu sangue, santificados pela presença do Espírito Santo e salvos pelo poder de Deus.
Tudo isso vem de Deus, não de nós — a salvação é obra da graça e do amor divino, operada exclusivamente pelo poder de Cristo e Seu sacrifício perfeito.
Acabei de pregar aqui o evangelho, a mensagem da cruz. É isso que deve ser anunciado lá fora. Evangelizar não é dizer apenas que “Deus tem um plano maravilhoso para sua vida” ou “Deus quer te abençoar” — isso não é o evangelho.
O evangelho é compartilhar o propósito da vinda de Cristo, o que Ele realizou, a nova criação que surgiu por meio dEle. É ensinar sobre o grandioso presente de Deus, oferecido a todos, embora poucos estejam dispostos a aceitá-lo e usufruir dele. Muitos rejeitam esse presente, virando o rosto, dando as costas para Deus. E para aqueles que recusam esse chamado, o destino é o lago de fogo, como advertido nas Escrituras.
O evangelho é um convite e um alerta: ele nos chama a compreender e a receber o sacrifício de Cristo como única e verdadeira ponte para a vida eterna.
O Antigo Testamento
O Antigo Testamento está dividido em quatro grupos, totalizando 39 livros.
1.Livros da Lei
Este grupo, conhecido como o Pentateuco ou a Torá na Bíblia hebraica, inclui os cinco livros escritos por Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
2.Livros Históricos
Esses 12 livros relatam a história do povo de Israel: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.
3.Livros Poéticos
Compreendem cinco livros: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. Jó, Provérbios e Eclesiastes também são conhecidos como livros sapienciais, oferecendo sabedoria prática para a vida cotidiana, aplicável ao lar, ao trabalho e aos relacionamentos.
4.Livros Proféticos
Dividem-se entre Profetas Maiores e Profetas Menores. Os Profetas Maiores — Isaías, Jeremias (incluindo Lamentações), Ezequiel e Daniel — têm livros mais extensos. Já os Profetas Menores, com livros mais curtos, são: Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
Esses 39 livros formam a estrutura do Antigo Testamento, que aponta para o plano e os propósitos de Deus desde a criação até a preparação para a vinda de Cristo.
O Novo Testamento
O Novo Testamento foi instituído através da morte e do derramamento do sangue de Cristo, estabelecendo uma nova aliança de purificação e redenção. Ele é dividido em duas partes principais: os Evangelhos e as Epístolas.
1.Evangelhos
Os Evangelhos — Mateus, Marcos, Lucas e João — narram a vida, o ministério e os ensinamentos de Jesus Cristo. Os três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) são chamados de “sinóticos” devido à semelhança em seus relatos, embora cada um apresente uma perspectiva única conforme a personalidade de seus autores. Eles retratam Jesus e seus ensinamentos de modo bastante similar, com parábolas e ensinamentos que se repetem entre eles, enquanto João oferece uma abordagem mais teológica, detalhada.
O Evangelho de João foi escrito cerca de 30 anos após os outros três evangelhos e tem um propósito distinto. Diferente de Mateus, Marcos e Lucas, João se concentrou em reafirmar a divindade de Cristo, pois, naquela época, surgiram falsos ensinamentos que desafiavam a verdadeira natureza de Jesus entre os membros da igreja. Por isso, João inicia seu evangelho com uma afirmação direta e poderosa:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1)
E no v.14 diz:
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”
Desde o primeiro capítulo, João deixa claro que Jesus é Deus, em total oposição às ideias que o tratavam apenas como um profeta ou um ser iluminado. Seu objetivo é ensinar que Jesus não é simplesmente alguém que recebeu o Espírito de Cristo, mas que Ele é o próprio Deus encarnado. Essa necessidade de esclarecer a identidade divina de Cristo foi o que levou João a escrever esse quarto evangelho, em um contexto único e num momento de desafios teológicos para a igreja.
2.Epístolas
As Epístolas — Atos dos Apóstolos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1João, 2 e 3 João, Judas, Apocalipse — são cartas doutrinárias escritas principalmente pelos apóstolos, destinadas a guiar a igreja e os cristãos no entendimento e prática da nova vida em Cristo. Elas fornecem diretrizes essenciais para o funcionamento da igreja, para a comunhão cristã e para a missão da igreja no mundo.
No total, o Novo Testamento contém 27 livros, escritos originalmente em grego, que era a língua universal da época, facilitando a disseminação da mensagem cristã. Os 39 livros do A.T., acrescidos esses 27 somam 66 livros ao todo na Bíblia. No entanto alguém ainda pode perguntar:
4- Porque faltam 7 livros na bíblia protestante?
Alguns católicos percebem que faltam sete livros na Bíblia usada pelos evangélicos, e assim acreditam que a Bíblia protestante esteja incompleta. No entanto, é importante entender que a comunidade evangélica não removeu nenhum livro da Bíblia.
Esses sete livros não estão presentes no Antigo Testamento da Bíblia protestante porque, desde a época do Antigo Testamento, eles não foram reconhecidos como inspirados por Deus pela própria comunidade judaica. Foram os escribas e teólogos de Israel que decidiram não incluir esses textos no cânon sagrado, pois não os consideravam revelação divina. Na época, nem a Igreja Católica nem a Protestante existiam; apenas Israel, e foi o povo judeu que fez essa distinção.
A comunidade evangélica, por sua vez, apenas manteve essa tradição e respeitou a decisão já tomada pelos judeus. Os sete livros, conhecidos como “deuterocanônicos”, existem e foram preservados, mas são tratados como apêndices históricos, servindo para contextualizar eventos que, de fato, ocorreram, mas que não têm o status de inspiração divina.
Esses livros foram escritos durante um período em que Deus estava em silêncio — conhecido como os quatro séculos de silêncio entre o último profeta do Antigo Testamento e o início do Novo Testamento. Esse intervalo de 400 anos é simbolizado, em algumas Bíblias, por quatro páginas em branco entre o Antigo e o Novo Testamento, representando cada século sem uma nova revelação. Somente com João Batista, o último profeta da antiga aliança, Deus voltou a falar diretamente ao Seu povo, marcando o início do Novo Testamento.
Ele, embora mencionado nos Evangelhos, não escreveu nenhum livro. Ele foi o último profeta antes da nova aliança, que foi estabelecida pelo sacrifício de Cristo e pelo surgimento da igreja — o grande projeto de Deus para Seu povo.
Assim, a comunidade evangélica apenas respeitou a posição adotada pelos judeus em relação ao que é considerado Escritura Sagrada. Quando Jesus esteve na terra, o cânon judaico (ou Antigo Testamento hebraico) já estava completo e fechado, e não incluía os sete livros adicionais que aparecem na Bíblia Católica.
Esses livros são: 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico e Baruque, além dos acréscimos aos livros de Ester e Daniel. Estes textos foram tratados como livros históricos, que relatam eventos da história de Israel, mas não foram considerados inspirados por Deus, sendo classificados como apócrifos.
Cânon Judaico
Para os judeus, as Escrituras Sagradas correspondem apenas ao Antigo Testamento, que eles chamam de Tanakh, o termo para o Antigo Testamento hebraico. Diferentemente dos cristãos, os judeus não consideram o Novo Testamento como palavra de Deus, pois ele revela Jesus como Filho de Deus e Salvador, o que eles não reconhecem. Para os judeus, Jesus não é o Messias prometido no Antigo Testamento, e eles ainda aguardam a vinda desse Messias.
O Tanakh é dividido em três seções principais: Torah (Lei), Nevi’im (Profetas) e Ketuvim (Escritos), formando as três partes que compõem o cânon judaico.
Os 12 profetas menores que aparecem separadamente na Bíblia cristã estão reunidos em um único livro na Bíblia hebraica. Além disso, os livros de 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas também aparecem como volumes únicos, e Esdras-Neemias são considerados um só livro. Devido a essa estrutura unificada, a Bíblia hebraica conta com 24 livros no total, enquanto a contagem ocidental separa os mesmos textos em 39 livros. Embora a quantidade de livros seja diferente, o conteúdo é o mesmo.
A primeira parte, chamada Torah, é idêntica à nossa Lei e inclui Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, seguindo a mesma divisão que encontramos na Bíblia ocidental.
A segunda parte, os Nevi’im, é subdividida em duas seções: os profetas anteriores e os profetas posteriores. Os profetas anteriores incluem Josué, Juízes, Samuel e Reis, com um livro para cada um. Já os profetas posteriores são Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, que são compilados em um único livro.
A terceira e última parte é composta pelos Ketuvim, que são divididos em três seções. A primeira seção contém os livros poéticos: Salmos, Provérbios e Jó. A segunda seção é chamada de Cinco Rolos e inclui Rute, Cantares, Eclesiastes, Lamentações e Ester. Por fim, a terceira seção abrange os livros históricos, que são Daniel, Esdras-Neemias (considerados como um único livro) e Crônicas (também reunido em um único volume).
Portanto, o cânon judaico é organizado em 24 livros, que correspondem aos 39 livros da nossa versão. Assim, não houve remoção de livros por parte dos evangélicos. Essa questão deve ser discutida com os judeus. Eles tinham a autoridade de decidir sobre os textos sagrados, pois eram o povo escolhido por Deus para representá-Lo na Terra. Eles possuíam a unção divina e a capacidade de discernir entre o que era realmente inspirado por Deus e o que não era. Dessa forma, realizaram a distinção dos escritos sagrados.
Os evangélicos, por sua vez, respeitaram essa decisão e reorganizaram os livros de maneira mais didática, facilitando a compreensão. Essa nova disposição resultou na divisão em 39 livros, mas o conteúdo permaneceu o mesmo. Portanto, não há motivo para preocupação, pois trata-se da mesma mensagem.
Uma pergunta que não quer calar é: como posso ter certeza de que a Bíblia que tenho em mãos é a mesma que foi escrita há dois mil anos? Como posso confiar que este livro, que está aqui comigo, é idêntico ao que existia naquela época? Essa é uma questão que exploraremos no próximo capítulo.
Neste momento, encerramos nossa conversa, deixando essa dúvida no ar: posso confiar que esta Bíblia é a mesma de dois mil anos atrás? Já discutimos alguns pontos que ajudam a compreender e acreditar que, sim, é possível que seja a mesma. Com base nas informações que compartilhamos sobre o projeto e o poder de Deus, podemos ver que não há nada acontecendo de maneira aleatória ou por acidente. Existe um planejamento divino em ação, e Deus está construindo isso, inclusive no que diz respeito à escrita da Bíblia.
Considerando tudo o que discutimos até agora, as coincidências e as informações apresentadas até o momento, fica claro que a Bíblia possui coesão. Ela tem um começo, um desenvolvimento e uma conclusão. Não se trata de um livro com histórias soltas, mas sim de uma mensagem unificada, cada parte com seu fundamento e propósito. Ao longo dos capítulos, especialmente este último, percebemos que existe um Autor maior que governa e escreve toda essa narrativa, deixando um registro para que possamos conhecer Seu projeto e plano de salvação.
Este livro é um convite à reflexão sobre o que significa ser um cristão genuíno em meio às distrações do mundo. Com base nas Escrituras, o autor apresenta uma jornada prática e espiritual que destaca valores como humildade, dedicação e fidelidade à Palavra. Ele aborda temas centrais da vida cristã — o novo nascimento, a mordomia, os perigos da dureza de coração — e utiliza parábolas e ensinamentos bíblicos para guiar o leitor pelo caminho estreito que conduz à vida eterna.
Escrito com paixão e clareza, a obra se coloca como um guia essencial para quem deseja amadurecer na fé, descobrir seu propósito no corpo de Cristo e viver de modo que glorifique a Deus em todas as áreas da vida. É um chamado ao autoexame e à transformação, conduzindo o leitor rumo ao verdadeiro Santuário.